FADO
OPERÁRIO
(S. Pedro da Cova)
Quando
baixamos ao fundo,
É
um funeral pegado
Até
chegar ao repouso a)
Onde
trabalha o escravo!
Mas
dentro daquela urna,
Há
lá uma cruz pesada:
Gente!
Não temos valor,
E
trabalhamos sem dor
Onde
os nobres ganham fama.
O
carvão que a gente mina,
Sustenta tanta família,
Numa
quadra tão sangrenta;
Quando
estivermos cansados,
E
do trabalho impossibilitados,
Não
temos quem nos defenda.
Senhor
Augusto Farinas,
É
o director das minas,
Vá
ao fundo justificar.
Como
um homem sem coração,
Que
nos quer tirar o pão b)
E
a gente a trabalhar.
Senhor
engenheiro em segundo,
Capatazes
gerais, em terceiro,
Os
vigilantes em quatro;
Às
vezes sem ter razão, que nos roubam o dinheiro.
Mas
logo de manhãzinha,
Com
aquela luz vivinha,
Labutamos
com a fé,
Arrancamos
tanta fortuna,
E
nunca temos nenhuma,
O
mineiro tão pobre é!
a)
cemitério
b)
cortes de vencimento