terça-feira, 2 de novembro de 2021

Festa de Nossa Senhora do Rosário

 



Cartaz das Festas do Concelho de Gondomar, 2016, Boletim Municipal








Altar de Nossa Senhora do Rosário, na Igreja Matriz de S. Cosme
(foto Maria Gomes)



  

Imagem do séc XVI em pedra policromada da Escola de Coimbra
(pagela, ed.Confraria de S. Cosme e S. Damião e Nossa SEenhora do Rosário)



Andor de Nossa Senhora do Rosário

(foto Vitor Neves)


   

Vitral da Igreja Matriz de Gondomar com a Nossa Senhora do Rosário.


Decoração da Igreja.

(foto Vitor Neves)



A Festa de Nossa Senhora do Rosário virá a transformar-se na principal da freguesia e até do concelho.

 Ocorre no 1º Domingo de Outubro, comemorativo da Vitória de Lepanto contra os Turcos, a 7 de Outubro de 1571, em nome de Deus e da Senhora, “pelas orações do Santíssimo Rosário”, o que consta dos  estatutos que darão  origem à confraria, em 1728 – A.G. C.P. Estatutos da Confraria do Rosário, cap. 5º - 1867. M. 108, 20. 

A sua origem remonta à vontade de  Gregório XII (1572-1585)  que determina que todas as igrejas com Confraria do Rosário festejem a Senhora, no primeiro domingo de Outubro.


Procissão de Nossa Senhora com as meninas com o vestido da "Comunhão Solene", década de 1950

Rua Oliveira Salazar, hoje 25 de Abril

(foto família Gomes)

Procissão de Nossa Senhora com as meninas das fitas, década de 1950

Rua Oliveira Salazar, hoje 25 de Abril

(foto família Gomes)


Procissão de Nossa Senhora entre a Rua 5 de Outubro e a então Rua Oliveira Salazar, hoje 25 de Abril.

(foto família Gomes)




                              A mesma procissão, no mesmo sítio, Rua 25 de Abril, nos anos 80 do século XX.
                                                                   

(foto família Gomes)

As festas iniciavam-se em meados de Outubro com a procissão das velas, em honra de Nossa Senhora do Crasto para o Souto e retorno ao Crasto. Inclui, pelos menos no século XX, a festa dos padroeiros S. Cosme e S. Damião, denominando-se: “Festa da Nossa Senhora do Rosário, de S. Cosme e S. Damião.”

Tem como ponto alto o sábado do Rosário, no qual desfilam as bandas filarmónicas da Câmara ao Souto, hoje, com paragem no Orfeão de Gondomar.


       Banda em frente ao Orfeão de Gondomar, 2012, Rua 25 de Abril

(foto Vítor Neves)


À noite, é costume comer regueifa com nozes e vinho.

 A grande festa da Nossa Senhora do Rosário iniciava-se, na alvorada de  sábado, com girândolas de foguetes e repiques de sinos, instalação de barracas com quinquilharias, assobios de barro e cavaquinhos e mais variedades de brinquedos, café e outras bebidas, teatros de fantoches e animatógrafos, quermeses, tômbolas, e outros divertimentos, como os Zés Pereira a tocar bombo.

  No domingo, é o dia do Rosário Grande, grande em tudo, em gente, em divertimentos e na missa solene, cantada por vários padres, e sermão por algum padre eminente, o que enchia a igreja com gente que vinha de muitos locais para cumprir as suas promessas ou apenas a sua devoção à Nossa Senhora do Rosário.

 No século XIX, a ela acorriam gentes das redondezas “em caleches, coupés e carroções e a pé.”(CP.09.10.1866)

 Os forasteiros faziam-se acompanhar de farnéis que comiam no Monte Crasto ou noutros locais.

 No arraial, havia longa fila de pipas de vinho, fritadeiras enormes de peixe, muitas canastras de doces, jogos da fortuna, flores de papel de seda com versos amorosos na haste e o despique das bandas de música, como a banda do Monteiro e de Augusto Martins dos Reis e outras.

 Nesta altura, achava-se que “Cada romeiro faz a romaria bem feita, logo que cante e se dance bem. Logo que se coma e beba melhor” (JP, 07.10.1861).

A ornamentação da Igreja era esmerada. A Confraria da Nossa Senhora do Rosário não poupava no abrilhantamento da festa. O trono do altar-mor era como ainda hoje descoberto e especialmente decorado para a ocasião.


   Trono eucarístico a descoberto e decorado de forma festiva, 2020

(Foto Vítor Neves)


Era habitual estrear-se roupa nova, por ocasião da Senhora do Rosário e namorar à carreira, ou seja, as raparigas colocavam-se em fila à espera que os rapazes lhes dirigissem-se a palavra, sobretudo em verso, debaixo do olhar dos familiares um pouco afastados. Alguns pares constituíam-se assim.

  Na segunda metade do século XX, o Souto enchia-se de barracas de divertimentos.  Não podiam faltar os carrinhos de choque, o poço da morte, o comboio fantasma, as cestas que animavam a rapaziada mais nova.

 Nesta altura, existia o bar dos Bombeiros e o da Conferência de S. Vicente de Paula, nos quais as pessoas conviviam, depois de terem comido numa das tascas do Souto ou à volta, o caldo de nabos ou a regueifa com nozes e vinho.


Boletim Municipal, 2016


Muita gente não dispensava os concertos das bandas no adro da Igreja, bem como o magnífico fogo de artificio.

A atuação dos ranchos folclóricos, a partir da segunda metade do século XX, é também uma realidade.




Fogo de artifício

(fotos Sérgio Gomes)




Na segunda- feira, feriado municipal, é o dia da procissão da Nossa Senhora do Rosário, na qual tomavam e tomam parte as Confrarias da paróquia e desfilam os Santos padroeiros S. Cosme e S. Damião e Nossa Senhora do Rosário bem como outros de devoção na paróquia.

  

 Procissão de N. Sr.ª do Rosário, 2017

(Foto Vítor Neves)


Andor de  Procissão de N. Sr.ª do Rosário

(Foto Maria Gomes)



Pendão de N. Sr.ª do Rosário

(Foto Maria Gomes)


Andor de S. Damião

(Foto Maria Gomes)


Andor S. Cosme
(Foto Maria Gomes)




Pendão de S. Cosme e S. Damião

(Foto Maria Gomes)


Pendão de S. José

(Foto Maria Gomes)

Pendão de S. Miguel arcanjo

(Foto Maria Gomes)

Andor de S. Miguel

(Foto Maria Gomes)



Andor de Santo Elói, padroeiro dos ourives

(Foto Maria Gomes)

                                                                    Pendão de Santo Elói

                                                                      (Foto Maria Gomes)



Pendão de N. Srª das Dores

(Foto Maria Gomes)





Pendão de Santo Isidoro


(Foto Maria Gomes)


   

Andor de Nossa Senhora do Rosário a passar junto às portas do Monte Crasto. 2018

(Foto Câmara de Gondomar)

Também neste dia é costume o despique de bandas filarmónicas que tocam de forma renhida, primeiro junto da Igreja, de posteriormente, quando foi construído o anfiteatro no Souto, no palco dessa infraestrutura, com mais comodidade para os espectadores. 


    
A ouvir a banda

(Foto Câmara de Gondomar)



É também costume, o pessoal de Gondomar aproveitar os divertimentos dos carrosséis, as farturas e nos últimos anos, antes da pandemia, as tasquinhas, para se divertirem.´




Romaria do Rosário, no largo do Souto
( Foto Guimarães)






Matrecos na feira, 2018


(Foto Maria Gomes)


Aspeto geral da feira, no lugar da feira, 2018~

(Foto Maria Gomes)

Do alto das cestas
(Foto Maria Gomes)







Cestas

(Foto Maria Gomes)



Farturas, uma iguaria a não dispensar, nos últimos anos.
(Foto Maria Gomes)




Tasquinhas, Boletim Câmara de Gondomar, 2016



 No Domingo seguinte, já vem menos gente de fora do concelho, mas os divertimentos continuam, é o dia do Rosário pequenino. Anda-se mais à vontade nos diversos carrosséis e pode-se comprar objetos nas louceiras ou nos leiloeiros que nunca cessam de perguntar: “quem dá mais?".   

 Com o tempo, a Festa do Rosário foi-se transformando na Festa Municipal, e intitulada também, Feira das Nozes,  iniciada a 12/13 de Outubro com a procissão das velas a nossa Senhora, do Crasto para o Souto, mais recentemente no início de outubro com a “noite branca” e inúmeras realizações culturais e económicas.


A Romaria do Rosário, tida como uma das grandes e última do ano, além de símbolo religioso, importante pela veneração a Nossa Senhora do Rosário que, pode levar os crentes a alcançar o céu, conta com o aspeto recreativo e cultural muito dinamizado por esta altura. São inúmeras as exposições e concertos que animam a vida concelhia e chamam forasteiros de outras paragens que visitam Gondomar e que contribuem para o seu desenvolvimento.


Decoração da Noite Branca

 As feiras de artesanato ou as feiras agrícolas e industriais, " Agrindústria", iniciadas em 1978, na Escola Preparatória Júlio Dinis, atraíram gente de muito longe e dinamizaram a vida económica, precisamente integradas nas festas do Concelho.


Foto Arquivo da Câmara Municipal de Gondomar)


Individualidades na Agrindústria
Foto Arquivo da Câmara Municipal de Gondomar)


                                                      Coleção particular



1ª 




Festival de Folclore 1995

Arquivo Câmara de Gondomar



                                                                   Concerto dos GNR
                                                    (Boletim Municipal de  Gondomar, 2016)








Bibliografia:



Costa, Francisco Barbosa, Romaria de Nossa Senhora do Rosário em S. Cosme de Gondomar, Câmara Municipal de Gondomar, Confraria de Nossa Senhora do Rosário.

2ª Feira Agrícola e Industrial de Gondomar, 29 Set a 8 de outubro - Catálogo geral oficial

Estatutos da Confraria do Rosário, cap. 5º - 1867. M. 108, 20.
















                                                 








sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Associativismo durante a Primeira República em Gondomar

 

ASSOCIATIVISMO

 

 

                                              Coleção particular - arquiteto Espinheira Rio

Centro Democrático Luz e Esperança Pádua Correia, em Valbom

O Centro Democrático de Instrução  Luz e Esperança Pádua Correia  foi  fundada em 1904, em casa de Francisco António de Campos e Silva. Em 1905 passou a chamar-se Grupo Dramático e Recreativo de Instrução Luz e Esperança, tendo como patrono Pádua Correia.

Teve com fundadores Cosme Norberto, Serafim de Almeida Ramos, Ernesto Cardoso Ferrão, José da Silva Neves, José Gameiro da Costa, Américo Teixeira Ferreira da Silva, João Monteiro de Meireles, Delfim Ramos de Castro, Daniel Teixeira das Neves, José Ferreira Pinto (Salamondes) e Alberto Formigo. Através da escola que possuía, desempenhou um importante papel na instrução e propaganda republicana.

 Em Outubro de 1910, festejou o advento da República com uma festa de arromba.

(A. B. P.M. P., O Progresso de Gondomar, nº 36, 9 de Outubro de 1910, p. 2) Aí funcionou o primeiro posto do registo civil, em Valbom. Na sua inauguração em que se descerrou um retrato do Dr. Teófilo Braga, estiveram presentes entre outros Miguel Verdial. A festa foi abrilhantada pelo grupo do Centro Musical Republicano Valboense. ( A. B.P. M. P., O Combate, nº 2, 16 de Abril de 1911, p. 3)

 

Centro Republicano e Democrático de Fânzeres




Segundo Camilo de Oliveira terá nascido em 1905. Segundo os autores da Monografia de Fânzeres, em 5 de Outubro de 1908, talvez, apenas, uma data simbólica.

A verdade,  é que os republicanos conseguem ser eleitos para a Junta de Fânzeres, em 1905.

Os primeiros associados republicanos, entre os quais se destaca Ferreira Calisto, reunir-se-iam nas casas dos seus membros. Desta forma, pode dizer-se que o Centro nasceu como organização na Travessa da Alvarinha, em casa do Sr. José Miguel e dali transitou para a rua do Valado, para a casa de Primo Loio.

 Como é natural, festejou a implantação da República em 1910.

Durante a Monarquia do Norte, em 1919, os seus membros foram objecto de perseguição, sobretudo o ourives José Ferreira, presidente do Centro, nessa altura.

Vencida a Monarquia do Norte, em 1919, adquire, por arrendamento, o edifício, na Rua da Igreja, onde ainda hoje permanece e fazem a “mudança do mobiliário”. Também pretendem prestigiar o Centro proibindo que se urine à porta e que se jogue bilhar com tamancos ou de pé descalço.

 Na Primeira República, conviveu, sobretudo por correspondência com o Centro Republicano da Rua Almirante Reis, com Afonso Costa, e outras figuras dirigentes do País.

Comemoravam sempre a República, o dia de Portugal com discursos, sendo alguns proferidos por Joaquim Godinho. (MAGAHÃES, Albano, D´ARMADA, Fina  e CORREIA, Natália, Monografia da Vila de Fânzeres, J.F.F, 2005 , p. 304/305.)

 

ESCOLA DRAMÁTICA VALVOENSE




Bandeira escola dramática 

Fotos Maria Gomes

Fundada a 4 de Agosto de 1905, adoptou o nome “Escola Dramática Juventude Valboense”: O seu  lema “Instrução, Recreio e Beneficiência”, espelha bem o ideário republicano.

A Escola Dramática Valboense, com bandeira, desenhada por Francisco Mendes de Oliveira e confeccionada pela professora de bordados, portuense, Adélia Flores, apela, acima de tudo, à vida dos campos e de um presente que se quer esperançoso. Possui uma estrela que reflecte candura da inocência, a lealdade de rectidão, o altruísmo da mocidade, o azul do céu e o vermelho, cor do sangue que redime uma pátria e liberta um povo.   (A. B.P. M. P., FIGUEIROA, Lino Vitória, número único, comemorativo do VIII aniversário da Escola Dramática Musical Valboense, 3 de Agosto de 1913, p. 4 ) Tem “um tríplice objectivo: a Caridade, que desde o seu início tem alimentado com transcendente devoção e inabalável constância levando ao regaço de centenas de desprotegidos parcelas de alegria e de conforto; a Instrução, que desenvolve tanto quanto em suas forças cabe, bastante lhe devendo esta terra pelo muito que nela tem estimulado e difundido a Educação Artística a qual lhe tem merecido muitos especiais cuidados; e a Diversão, facultando aos seus associados, e a todos os nossos conterrâneos, em geral, momentos de indescritíveis delícias espirituais” (…)     (A. B. P. M.  P., Vitória, número único, comemorativo do VIII aniversário da Escola Dramática Musical Valboense, 3 de Agosto de 1913.) Segundo  o articulista  A. Amado a escola justificava-se porque “pela caridade se eleva o Homem em comum, abolindo melhor que todas as leis essas distinções odiosas estabelecidas pelo nascimento” (…) “ao se levantar o nível moral das sociedades cultivando-lhes a Inteligência e iluminando-lhes a Razão” (…) “escancarando ao povo de par em par as portas da vida, habilitando-o à contemplação das maravilhas da Natureza, ensinando-nos a todos a amplitude dos nossos deveres e os limites dos nossos direitos, dizendo-nos qual a relação que existe entre o indivíduo e a sociedade, orientando a nossa conduta, dirigindo ou corrigindo os nossos sentimentos naturais, sopeando os nosso ímpetos, enfim, amoldando-nos e afeiçoando-nos para o Bem; finalmente a Diversão, fomenta a sociedade dos homens, promove a sua aproximação, além de retemperar os ânimos obtidos pelas lides quotidianas, com sensações novas, variadas e aprazíveis”.

Efectivamente a Escola Dramática além de organizar brilhantes e instrutivos espectáculos e festas cívicas, distribuía donativos aos pobres da freguesia, na altura da Páscoa. Era, também um posto de distribuição de leite, Lactário, às mães necessitadas.

Funcionou, inicialmente, numa casa na Capadeira, como nos revela Delfim R. Castro no “Vitória”,  ( Vitória, 1913) que trabalhava arduamente ensaiando e fazendo os cenários, “reunindo fraternalmente”. Daí o lema “União, Progresso e Fraternidade”. Em jeito de balanço refere que a Escola deve ter promovido até 1913: 100 espectáculos e saraus, 7 bodos aos pobres da freguesia, 5 espectáculos em benefício e duas festas patrióticas – uma em honra de Luís de Camões e outra de A. Herculano, duas importantes personalidades da temática republicana.

Em 1909, mudou-se para o lugar das Camboas, hoje Rua Alexandre Herculano, num edifício térreo, mais tarde ampliado e dotado de um salão teatro. O nome que incluía “Juventude” passou para “Musical”. Em 1914, comprou terreno para um edifício próprio. Adquiriu, então, um cinematógrafo sonoro, com projecção a gasogénio, tornando-se o primeiro cinema de Gondomar.

A escola para melhor chegar junto da população que queria influenciar não descurou a elaboração do Hino, encomendando a letra a Augusto de Castro e a música ao maestro Jacinto Figueiras, regente da Banda da Guarda Republicana e da Tuna da União dos Empregados do Comércio. Acolheu muitas vezes grupos do Porto e de Avintes para dar mais brilho à sua missão.

No entanto, a própria associação possuía uma Tuna.

Tinha por hábito realizar espectáculos em benefício de necessidades várias como a que é relatada no jornal Vitória do 8º aniversário, em benefício de Joaquim Semana, tuberculoso.

Dá a mão a uma série de associações. É o que acontece, em 1912, aquando da fundação do Centro Republicano Radical que realiza a sua festa de inauguração na Escola Dramática na noite de 4 de Outubro, com uma crescente inscrição de sócios.    (A. B. P.M.  P., Combate, nº 25 Agosto, 1912)

Possuía uma comissão de senhoras para a realização de festas ou movimentos de carácter altruísta. D. Maria da Glória Barreto Costa, esposa do médico, denominado “João Semana de Valbom” pela sua bondade e dedicação, cognominada “avozinha da escola Dramática”, presidiu, várias vezes a essas comissões.

 




Palco da Escola Dramática Musical Valboense, relevando autores ligados ao drama e poesia: Gil Vicente; Camões e Garrett e Marcos Portugal,  músico e compositor português que acompanhou  D. João VI para  o Brasil, sendo professor do seu filho mais velho D. Pedro. É-lhe atribuída a  autoria do "Hymno Patriótico de Portugal", em 1809 e e da primeira versão do hino de independência do Brasil. A segunda versão crê-se ter a a autoria do  próprio D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal.



Centro Democrático Recreativo da Venda Nova

Foi idealizado em 1911. Tinha biblioteca; jogos; conferências educativas e festas locais. As adesões tiveram a sua primeira sede na Farmácia da Venda Nova, onde poderiam ser entregues livros instrutivos. (A. B. P.M.  P. , O Combate, nº 2, 16 de Abril de 1911, p. 2)

 

Clube Gondomarense


                                                                                 Bandeira do Clube

                                                                                  Foto: Maria Gomes




 


 

O Grémio Aurora e Juventude parte de uma ideia de amigos que tinha à frente António Ramos Lobão, cerca de 1903. Em 1905 torna-se no Clube Camoneano Gondomarense, um nome que indica logo à partida os seus objectivos, instrutivos segundo as ideias defendidas pelos republicanos, de exaltação da pátria de Camões. O lema “patriotismo e Instrução” é a sua meta.

Reunia, num prédio de Serafim Pinto dos Santos, em Quintela, pessoas de destaque como Ramiro Sousa, António Garrido, António de Castro, António Ramos Lobão e outros. Em 1908, o administrador do Concelho Joaquim Manuel da Costa é admitido e em 1909, D. Luís Pizarro de Porto Carrerro.

É, também, em 1908, que o clube se divide: uma parte adere ao Círculo Católico e outra ao Clube Gondomarense que muda para o lugar de Quintã, fronteiro ao Círculo Católico.

O clube possui além da sala de jogos, uma biblioteca para a qual contribuem os irmãos Lobão e D. Guilhermina Guiddy.

Entraram para o clube além de muitos outros nomes de destaque, Manuel Ribeiro de Almeida e o padre Augusto Guilherme Silva Maia, cuja orquestra abrilhantava os espectáculos.

Em 1910, uma comissão que integra Manuel Ribeiro de Almeida, da Cónega, José Pereira de Sousa de Pevidal, António Gaudêncio Correia, do lugar da Boca, Joaquim Duarte Lopes, da Prelada e Celestino Cândido de Seixas e Silva, da Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova conseguem que o clube mude para o lugar da Boavista.

O novo edifício é inaugurado em 1910. Na inauguração do novo edifício, presta-se homenagem à acção de Joaquim Duarte Lopes. (A. B. M. P.,  O Progresso de Gondomar, nº 9, 3. 04.1910)  Foi representada, então, a peça de teatro “Porta falsa” e “Sustos”, para crianças e a opereta “Bocaccio na Rua”, orquestradas por A. Maia.

O Club integrava a elite política monárquica gondomarense e após a República, republicanos de elevada instrução e intervenientes na política local que procuravam cumprir a divisa do seu estandarte “Fiat Lux”, ou seja uma busca de luz e conhecimento, vinda da antiga filosofia iluminista liberal. Possuía um corpo cénico que procurava cumprir o tema da conferência proferida naquele clube por Camilo de Oliveira: “ O Teatro e a Escola como Fontes de Civilização”. Dele faziam parte D. Leopoldina Ramos Cardoso, D. Margarida Dias, D. Albertina Pereira, António Martins Fernandes, Germano José de Castro, Agostinho Silvestre Cardoso, A. Ramos Lobão, António Camelo, Manuel Marques, António Nunes, António Timóteo Gonçalves e outros. A música estava a cargo da orquestra do Padre Augusto Maia, fundada em 1906.

De 1908 a 1920, coube ao maestro José Martins de Moura compor diversas operetas. (A. C. G. , Clube Gondomarense, edição da Comissão das Comemorações do 75º aniversário, Nº único, Novembro de 1983, p. 7)

Desde sempre tentou elevar o nível cultural dos gondomarenses, cumprindo o refrão “ Por Gondomar” referido no seu hino, criando aulas de instrução primária, cursos de desenho, cursos de dança e de música, para o que foi comprado um piano.

Chegaram, mesmo, a decorrer no Club, aulas oficiais, enquanto a escola primária do Souto estava em obras.

Promoveu saraus literários de beneficência, mesmo antes de possuir o seu salão teatro com capacidade para 350 pessoas. Organizou rifas para distribuição do bodo aos pobres em S. Cosme, no Natal.

De 1916 a 1920, promoveu as primeiras sessões públicas de cinema de S. Cosme.

Em 1917, nasce, aqui, o Orfeão de Gondomar, que aí ensaiou largos anos. A Tuna Musical Gondomarense, já desaparecida, partiu, também, do Club Gondomarense. Fez parte da comissão que se mobilizou para trazer a luz eléctrica e a Escola Comercial e Industrial para S. Cosme.

Os sócios emigrantes, através de benesses pecuniárias, contribuem muito para o progresso do movimento associativo, como é o caso de João Pereira d`Aguiar, emigrado nos E.U.A.. Também, António Martins de Moura, de origem humilde, mas tendo granjeado fortuna como emigrante, sócio honorário do Club, dispôs-se a instituir, a expensas suas, uma escola primária e uma escola industrial para os associados e seus filhos.  ( A. B. P. M. P., O progresso de Gondomar, nº 3  27. 03.1910 ) Foi nomeado o professor António Joaquim de Sousa para as aulas de instrução primária nocturna.

Em 1911, hasteia a sua bandeira azul e branca para solenizar a realização de um comício republicano que se realizou em Gondomar, sendo criticado, então, devido à cor da bandeira. (A. B. P. M. P, O Combate nº1, 16.04.1911, p.2) No entanto, a provar a sua veia republicana, adere às comemorações do Cinco de Outubro.

Em 1913, estende a escola primária a não sócios.

Enquadrando-se na dinamização da importância do desporto, organiza em 1912, uma corrida de bicicletas até à Barraca, em Jovim, na categoria de fortes e fracos.

Passa a ensinar gratuitamente Inglês e Francês.

Em 1919, é remodelado, devido ao contributo do seu director Gabriel Marques, em grande parte, a expensas próprias.  

 Fica apetrechado com bar moderno e bilhar. Continua a dar seguimento ao epíteto de Camoneano, com que iniciou a sua actividade, ligada, sobretudo, à arte e às letras promovida através  dos saraus dramáticos musicais frequentados pela fina flor de Gondomar.

Orfeão de Gondomar



O Coral do Orfeão de Gondomar fez a sua primeira apresentação em 21-11-1920, sob a direcção do maestro José Moura em colaboração com o corpo cénico e orquestra da Escola Gondomarense. Dada a falta de sede, ensaiava e realizava recitais no Clube Gondomarense. (Clube Gondomarense, Edição da Comissão das comemorações do 75º aniversário, p. 11)

 

Grupo Dramático e de Recreio da Mocidade Valboense

Em 31 de Novembro funda-se esta nova associação, com sede no lugar da Culmieira, com finalidade beneficiente e recreativa, pelo que possuía um grupo de teatro. Em 1928, contava já com 280 sócios.

 

Associação Recreativa Valboense Luz e Vida

 

Foto Maria Gomes

  Em 1922, surge, na Travessa de S. Veríssimo, denominado Grupo Dramático Valboense Luz e Vida, com fins essencialmente culturais. Hoje, Associação Recreativa Valboense Luz e Vida, localiza-se na Rua Dr. Albino Montenegro.

 

Clube Naval Infante D. Henrique

 

O Clube Naval Infante D. Henrique, inicialmente  “ Escola Naval Infante D. Henrique”, foi fundado em 4 de Julho de 1925, em Valbom, por um grupo de aficionados que se costumavam reunir na Escola Dramática. Escolhem como patrono D. Henrique, iniciador das descobertas portuguesas, um período muito querido pela 1ª república e como símbolo, a Cruz de Cristo, que identificava as embarcações portuguesas.

A bandeira foi oferecida ao Clube por uma comissão de emigrantes brasileiros que pretendiam que ela tivesse bênçãos eclesiásticas o que não foi conseguido, dado as polémicas entre laicos e católicos.

No entanto, só em 1929, foram lançados à água os primeiros quatro barcos, junto da Quinta da Vinha.

A sua actividade fundamental foi sempre o Remo, mas dinamizou, também o Pólo Aquático e a Natação
Com o decorrer dos anos, alargou –se a outras modalidades como: o Basquetebol, a Pesca Desportiva e o Ténis de Mesa.

No seu estaleiro, construiu-se um “Shell”, talvez o primeiro a ser construído em Portugal.

Realizavam no rio Douro provas de Remo.

Em 25 de dezembro de  1960, o Clube inaugurou a sua Sede na Rua Dr. Joaquim Manuel da Costa. Nessa década de sessenta o Clube Naval do Infante D. Henrique afirmou no plano nacional, no remo.  Posteriormente, consegue a construção do seu complexo desportivo, em Gramido.


Clube Infante D. Henrique, cartaz nas actuais instalações desportivas.


 

 

Ala Nuno Álvares

 

Primeiro edifício da Ala

A Ala insere-se no movimento de luta religiosa que pretende revalorizar os valores cristãos, através da criação de centros católicos. O primeiro, “Centro Católico Português”, organização de âmbito nacional, pretendia defender os direitos da Igreja na cena política. (CLEMENTE, Manuel, Dicionário de História Religiosa de Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores, vol. J-P, p. 111) Na verdade, fundado em 1917, em Braga, preconizava medidas no “terreno religioso”, mas também no terreno político-social” ( Manuel Braga da CRUZ, Partidos Políticos confessionais, Dicionário de História Religiosa de Portugal, Círculo de Leitores, vol. J-P, p. 382)  Candidatou-se às eleições e elegeu sempre deputados. Em 1918, funda-se a Cruzada Nun´Álvares. Em 1919, concorre pelo Centro Católico, António de Oliveira Salazar.

Nesta linha de ideias existiu, em Gondomar, um Centro Católico, ao qual já nos referimos. Dando continuidade a esta cruzada, um grupo de jovens aos quais se junta o Padre Vitorino Caetano Pereira funda, em 30/09/1923, a Ala dos Legionários de Nun´Álvares de Gondomar”, tendo como padroeira a Imaculada Conceição sob proposta do pároco da altura, Padre Crispim Gomes Leite e exemplo, o do próprio Nuno Álvares Pereira. A sede desta agremiação foi construída no largo do Souto (posteriormente Praça da República).

Paralelamente dinamizou secções de desporto, ginástica, grupos corais, teatro e música. (NEVES, António Ramos, Caminhando, nº 15, Março 1993, Do Alto do Monte Crasto, p 4.)

 

Em 1924 foi criado o Grupo Coral e em 1926 o TANAG - Teatro Amador da Ala de Nun’ Álvares de Gondomar.

Em 1943 o clube introduziu o voleibol  masculino em Gondomar e em 1965 o feminino, tornando-se numa referência nacional.

Em 1978, num campo no Monte Crasto,  iniciou a sua secção de Ténis, até 1984. Nessa altura,  passou a dispor de instalações próprias.

Na modalidade de ténis de mesa , esteve esteve representada nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016,  através da sua atleta Shao Jieni.

 

 

 

 

Em Valbom, em 1924 é fundado o “Grupo de Nun´ Álvares de Valbom”, imbuído do espírito do anterior.

Tem a sua origem no Grupo dos Jovens Católicos Valboenses Nun´Álvares Pereira, da iniciativa do padre Joaquim Nunes Barroso.

No entanto, segundo o Legionário de 25 de Julho de 1925, pretendendo comemorar o seu 1º aniversário e para isso tendo alugado o espaço da Escola Dramática, foi dado a conhecer ao seu presidente, um ofício do Grupo Radical do Porto “que dizia que se ia realizar uma festa reaccionária”, o que levou o doutor delegado a enviar outro ofício ao regedor da freguesia a fim de acautelar distúrbios. No entanto, o grupo de Nun´Álvares acaba por prescindir dos oradores e resumir a festa ao elogio do Mestre Nun´Álvares, à representação de duas peças de teatro “ O Advogado da Honra” e da comédia “ Que amigos”, bem como à actuação da Tuna dos Caminhos de Ferro de Portugal.

 

No entanto, já tinha existido várias associações:

Círculo Católico de Operários – fundado a 2 de Janeiro de 1910, em casa do coadjutor do pároco. Tinha escola que funcionava das 7 às 9 horas. Possuía, também um grupo dramático. Terminou com a proclamação da República. (FIGUEIRAS, Paulo Passos, S. Veríssimo de Valbom, subsídios para uma monografia, C.S.C. P. V. , 1998)

Juventude Católica

Partiu da reunião de um grupo de católicos no Lugar de Lamas, na Quinta das Ruas, em 1914.

Tinha um grupo dramático  e escola. Temendo um assalto, arrolaram os bens e cessaram o contrato de arrendamento.

Círculo Católico de Valbom, formado em Lamas, em 1914, onde antes funcionou o Clube 31 de Janeiro. Substituiu o anterior. Tinha escola e ministrava catequese. Por vezes existia pancadaria entre os alunos do Centro Pádua Correia e os associados do Círculo. ( A. B. M. P., Aurora de Gondomar, nº 109, 1.8.1914)

No final de 1915, o Governador Civil mandou fechar todas as juventudes católicas

A provar a existência de duas sensibilidades, em 1916 é fundado o Centro de Instrução e Recreio , a 27 de Janeiro de 1916, no lugar da Culmieira que é destruído em 1919.

 

Na verdade, Gondomar, neste período, possuía um grande dinamismo associativo de todos os quadrantes.

Existia, ainda:

O Centro de Instrução e Recreio Seixoense, de Fânzeresfundado em 1926 que possuía uma escola nocturna; o Clube dos Caçadores de Fânzeres; o Clube dos Caçadores de Gondomar ,

fundado em 1915.Tentou ligar-se ao Clube Gondomarense que declinou o convite. Quando conseguiu sede própria, na Praça Manuel Guedes, dotou-se de sala de leitura e jogos; o Grupo Dramático Honra e Glória Gondomarense; a Companhia Dramática Estrelas de Fânzeres,  no lugar da Carvalha, fundada em 1921, que chegou a ter teatro; o Grupo Dramático Benemérito Valboense; o Grupo Dramático e Recreio da Mocidade Valboense; o Gabinete Recreativo Camilo Castelo Branco, em Valbom, a

Assembleia de Rio Tinto, fundada em 1921, que chegou a dinamizar uma brilhante festa em benefício do Dispensário para crianças de Rio Tinto.

Em Rio Tinto, no início do século houve o Ideal Cinema. Em 1926, quando é beneficiado pela luz eléctrica, torna-se muito frequentado.

Ainda no século XIX, funcionou um teatro no Largo de Quintã, (hoje Praça Manuel Guedes), no sítio da antiga residência do Dr. Silvestre Cardoso (actual Farmácia). Intitulava-se Teatro Almeida Garrett. Posteriormente, em casa do Sr. José Alves Garrido, um grupo de rapazes organizou o Teatro Recreio Familiar, que teve pouca duração.

O teatro amador surge um pouco por todo o lado. Começa a ganhar tradição em S. Pedro da Cova, onde se geram verdadeiras famílias de artistas.

O Grupo Columbófilo de Valbom foi fundado em 1922, na Rua Joaquim Manuel da Costa. Hoje localiza-se na Rua Fonte do Vale.

Os agrupamentos musicais tiveram, também, grande relevo, uma vez que todas as festas incluíam a música. É o caso de:

Banda de Música do Monteiro

Damião Monteiro foi um aluno destacado do Padre João Ramos das Neves, conhecido por Padre João da Torre, organista,  que  em 1850, criou um terceto para animar as festividades religiosas. Manuel Ramos de França, do Lugar do Paço, freguesia da S. Cosme, com outros elementos juntou-se ao grupo de alunos existentes e a expensas próprias, comprou os instrumentos necessários à formação de um agrupamento musical. Este, que no primeiro concerto realizado no Monte Crasto, em Abril de 1863, se designa Banda Monteiro, teve como regente Damião Monteiro que, apesar dos seus 17 anos, demonstrou grande competência.

 Em 1907, Damião entrega a banda ao filho mais velho Domingos Monteiro, que além de maestro se revelou um interessante compositor.

A banda ficou na família Monteiro  até 1973.

Todavia outras bandas de música se constituíram: uma delas tinha a regência de Damião Lopes e outra de Camilo Duarte Lopes. Em Valbom, os Cestas e os Quelhas constituíram, também uma banda de música.

José de Castro Gandra, com elementos da Banda do Monteiro organizou com Camilo de Oliveira Aguiar, a Banda de S. Pedro da Cova à qual o seu filho deu continuidade. Em 1925, no lugar da Igreja, fundou-se a Tuna Musical “União de Fânzeres”.

 

 

O Desporto começa a dar os primeiros passos e fundam-se associações desportivas como:

- Onze Trevos Valboenses;  Sporting Clube Valboense e Oriente Sporting Clube ( A. B.P. M. P., A Voz de Gondomar, nº 10, 20 .10. 1925)

Em Gondomar havia o Campo Alves Pimenta, junto ao Souto, um em Rio Tinto e ainda outro na Arroteia, em Valbom.

O Futbol Clube de Gondomar foi fundado em 1 de Maio de 1921 com fins de educação física e desporto. Tinha a sua sede na Praça Manuel Guedes.

Em Rio Tinto, funda-se:

- Sport Cub de Rio Tinto, em 1923. Em 1928, contava com 310 sócios. Tinha como fim o estudo e prática de exercícios físicos e jogos ao ar livre, especialmente o futebol. Também tinha fins beneficentes. A sua sede ficava na Ferraria ( à Venda Nova).

Em S. Cosme foi fundada, em 1916 uma Corporação de BombeirosAssociação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Gondomar.

A 15 de Setembro de 1913 reuniu-se um grupo na sede do Clube dos Caçadores de Gondomar tendo à frente Serafim Rosas, Alexandre Mendes Barbosa, Arnaldo Martins de Sousa, Manuel Marques e Manuel Pinto da Silva entre outros. Pretendiam a constituição de um corpo de Salvação Pública e aquisição do respectivo material para a extinção de incêndios.

A primeira casa localizar-se-ia no lugar de Quintela. Mais tarde, já em 1932 começam a construir um Quartel, na Rua 5 de Outubro (actual Clínica de Gondomar).


Mais tarde muda-se para o actual edifício.