segunda-feira, 12 de julho de 2021

ESTAÇÃO DE RIO TINTO

 

 Estação de Rio Tinto


                                               


Foto: Henrique Matos. 2008. Estação de Rio Tinto. Wikipédia, consultada a 05 de junhode 2021


Introdução


 

Planta do Couto de S. Cristóvão de Rio Tinto, 1755 - panfleto do Arquivo Distrital do Porto

     O Couto de Rio Tinto englobava as aldeias de Vila Cova, Ranha, Rebordões, Quinta, Triana, Portela, Areosa, Pinheiro, Giesta, Braz Oleiro, Forno, Santegãos, Carreiros, Medancelhe, Casal, Lourinha, Sevilhães, Perlinhas, Ferraria, Venda Nova, Cavada Nova, São Sebastião, Vale de Flores, Soutelo, Mendalho, Amial e Mosteiro.

No tempo de Fernando Magno, rei de Leão (1073), “aqui se fundou um convento de freiras agostinhas”.

 Foi extinto a 6 de Janeiro de 1535, passando os seus privilégios para o mosteiro beneditino de Avé- Maria no Porto.

Em 10 de Dezembro de 1867, foi criado o concelho de Rio Tinto. Dele faziam parte sete paróquias civis: Águas Santas, Covelo, Gondomar, São Pedro da Cova, Rio Tinto, Valbom, São Vicente de Alfena e Valongo. Extinguiu-se a 14 de Janeiro de 1868.

Em 28 de Junho de 1984 adquiriu a categoria de vila, agora com duas freguesias – Rio Tinto e Baguim do Monte. A 21 de Junho de 1995, passou à categoria de cidade de Rio Tinto, constituída pelas freguesias: Rio Tinto e Baguim do Monte.

 Antes da construção da Estação de Rio Tinto, a centralidade religiosa e política situava-se nos arredores do Mosteiro de S. Cristóvão, edificado junto ao rio, provavelmente entre a atual Rua do Mosteiro e o Cemitério

 A Construção da Estação de Rio Tinto


                                                               Primeira Estação de Rio Tinto - A chegada de um comboio

                                                             Fonte: Camilo de Oliveira. 1933.Vol. IV  p. 24

 


Obtida a garantia e apoio dos bancos do Porto, Braga e Guimarães, inicia-se a construção do caminho de ferro do Minho, pelo  decreto 14-6-1872. Esta linha  é inaugurada a 21 de maio de 1875, e pouco tempo depois, em julho a linha do Douro até Penafiel. Entre as estações e apeadeiros construídos encontra-se a estação de Rio Tinto.

 

                                                 

                                                                Estação de Rio Tinto no início do século XX.

                                                   Fonte: Gazeta dos Caminhos de Ferro,nº 1130, 1935

 

Os trabalhos da Linha do Minho iniciaram-se no dia 8 de julho de 1872, tendo o primeiro troço, até Braga, sido aberto à exploração em 20 de maio de 1875. As obras na Linha do Douro principiaram em 8 de julho de 1873, tendo o primeiro troço, entre Ermesinde e Penafiel, entrado ao serviço no dia 30 de julho de 1875, até à Régua, em 15 de julho de 1879 e ao Pinhão, a 1 de junho de 1880. Em 23 de julho de 1883, foi decretado o alargamento até Barca d´Alva e depois, em setembro, até ao Tua e até ao Pocinho, em janeiro de 1887.

 Em 1899, a Câmara de Gondomar, face à crise económica que o país atravessava, em sessão de 26 de janeiro, emite o parecer de que “as duas projetadas linhas férreas entre o Porto e S. Pedro da Cova e entre Viseu e Recarei, na linha do Douro, devem ser abandonadas por uma só – do Porto a Viseu – tendo por pontos obrigatórios, S. Cosme, Jovim, Barraca, S. Pedro da Cova, Medas, Melres, Raiva, Sobrado – próximo – Vale do Paiva, etc. O caminho de ferro  Porto-Viseu – satisfaz plenamente as necessidades industriais e comerciais das províncias do Douro e Beira Alta.” (Camilo de Oliveira. 1936. Vol. IV. p.25)

  

Fonte: Horários da Linha do Minho e do Ramal de Braga em 1876 – wikipédia https://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_do_Minho, consultada em 5 de junho, 2021.













Importância da Estação de Rio Tinto

A Estação fazia o escoamento do carvão de S. Pedro da Cova de grande importância para o desenvolvimento industrial do Porto e do norte do país.

Para solucionar  a necessidade do transporte do carvão, até ali transportado em carros de bois puxados por carreteiros, foi construído, segundo alvará datado de 29 de novembro de 1913, pela Companhia da Minas de S. Pedro da Cova, o Cabo Aéreo encomendado à sociedade alemã Pohlig de Colónia (representada no Porto por Jonh. Hitzemann). O Ministério do Fomento por intermédio da Direção das obras Públicas do Distrito do Porto deu autorização para a sua exploração definitiva em 1916.

No Cabo Aéreo, teleférico ou funicular aéreo, as cargas a movimentar são suspensas de cabos e deslocadas de um local para outro. O Cabo Aéreo que foi montado para transporte do carvão entre S. Pedro da Cova, Rio Tinto e o Monte Aventino, no Porto, compõe-se, essencialmente de um cabo forte em aço   - o Cabo Carril - ou - Cabo Via -  onde eram suspensas numerosas cestas, equipadas com roldanas ou rodízios, e puxadas por um cabo mais fino - o cabo trator.

 

O cabo aéreo ligava a Mina de S. Pedro da Cova à estação de Rio Tinto.

 

 

Está a Mina ligada aos Depósitos de Rio Tinto e Monte Aventino por meio de um Cabo Aéreo com cêrca de 10 Km de extensão. Na presente fotografia mostra-se a máquina a vapor (150C.V.) que aciona o Cabo.

Fonte: Álbum Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova - as suas instalações, 1940



            Fonte: Álbum Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova - as suas instalações, 1940


As cestas eram  movimentadas, a partir da Mina por uma máquina a vapor, e mais tarde, por um motor elétrico.

O carvão depositado nas "tolvas" ou "tremonhas" da mina era descarregado por gravidade através de portinholas, diretamente para dentro das cestas que suspensas dum carril em ferro iam passando à sua frente, empurradas manualmente. O cabo trator puxava-as para cima do cabo carril e transportava-as até Rio Tinto.

 


Pouco depois da Mina foi necessário realizar um vão, entre pégãos de 315m. Para diminuir as flechas do cabo via, criou-se esta “estação tensora”.

                            Fonte: Álbum Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova - as suas instalações, 1940

 

 

  Cesta a passar na Estação de Rio Tinto

                              Fonte: Álbum Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova - as suas instalações, 1940

 

 


Esquema do Transportador aéreo, ARPPA nº1, p. 25




 


Fonte: Traçado do Transportador aéreo; ARPPA nº1, p. 25

 

 

Entrada na Estação de Rio Tinto

          Fonte: Álbum Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova - as suas instalações, 1940 



 “É por meio da Estação de Rio Tinto que se fazem as expedições por caminho de ferro para tôda a a Rêde ferroviária do País”

                       Fonte: Álbum Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova - as suas instalações, 1940

 

 


“Depósito em Rio Tinto, Fábrica de briquetes e linha fárrea da Companhia”

                         Fonte: Álbum Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova - as suas instalações, 1921

   

 

Curva automática entre Rio Tinto e Monte Aventino, destinada a ligar dois troços do Cabo que fazem entre si um ângulo de 153º. Tem um desenvolvimento de 43m.

                 Fonte: Álbum Companhia das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova - as suas instalações, 1940



 Em Rio Tinto, as cestas eram desengatadas automaticamente do cabo-trator e empurradas à mão. Depois, ou eram levadas para os depósitos de armazenamento e empurradas vazias para o local onde seriam de novo engatadas, ou, ainda cheias, seguiam para o Monte Aventino para abastecer as empresas e casas da cidade do Porto. Daí, o carvão era transportado em vagonetas para as carregadeiras, donde era despejado, diretamente, nos carros de bois, zorras ou camionetas que o

distribuíam pelos consumidores. As cestas, na volta, eram cheias de madeira, na Estação de Rio Tinto para  as galerias das minas de S. Pedro da Cova.


                      

 O comboio, além de permitir a mobilidade de passageiros, permite a mais fácil comercialização de diversos produtos, alguns produzidos em Gondomar, como o milho, vinho, mobiliário, entre outros.

Com efeito, a Estação de Rio Tinto  constitui um importante ponto de escoamento de uma freguesia industrial que possuía quatro fábricas têxteis; uma de briquetes (ligada às Minas de S. Pedro da Cova); uma de álcool vínico, movida a vapor e eletricidade, um moinho a vapor no lugar do mosteiro (Inquérito industrial de 1878) e ainda do carvão que de S. Pedro da Cova (a 6 quilómetros)  era escoado, parte em Rio Tinto, parte no Monte Aventino.

Com a construção da Estação de Rio Tinto, Gondomar passou a beneficiar da rede do Minho e da rede do Douro, até Ermesinde, numa extensão de 6 quilómetros.

     Com a construção da Estação de Rio Tinto  desenvolve-se uma nova centralidade económica que em muito contribui para o desenvolvimento local.

Perto da estação, constroem-se vários armazéns, como os A. F. Cavadas e outros.

  

 

Década de 30

 Dado o desenvolvimento operado, na década de 20 de 1900, vai-se sentindo a necessidade do alargamento da estação.

Na reunião do Conselho de Ministros de 10 de janeiro de 1934, foram aprovadas as condições para os contratos definitivos para a realização de várias obras nesta estação, de um cais coberto e outro descoberto, de uma plataforma de passageiros e a correspondente calçada dos muros de suporte e das vedações. 

O primitivo edifício da estação que ficava do lado oposto do atual, em relação às linhas foi demolido e substituído. O átrio e plataforma da nova estação são recobertos de azulejos, da autoria de José Alves e executados na fábrica da Viúva de Lamego, numa lógica difundida, na época, de Estação, sala de visitas da localidade, que deve atrair forasteiros para desfrutar da belezas da região.

É, então, inaugurada, em  1935.

O conjunto de azulejos do átrio apresenta motivos florais e zoomórficos e recebeu o 1º Prémio do Concurso das Estações Floridas, do SNI,  em 1943 e, em 1953, ficou em 5º lugar. 



                                               Foto: Maria Gomes, 2021




      Foto: Maria Gomes, 2021


                                                       Foto: Maria Gomes, 2021


      Foto: Maria Gomes, 2021
      Foto: Maria Gomes, 2021

      Foto: Maria Gomes, 2021


      Foto: Maria Gomes, 2021


                                                         Foto: Maria Gomes, 2021


O nome do autor do conjunto e a data.         Foto: Maria Gomes, 2021



      Foto: Maria Gomes, 2021


                                               Foto: Maria Gomes, 2021


Hoje, este conjunto azulejar faz parte da sala de espera da 4ª Esquadra de Investigação Criminal, instalada no edifício da antiga estação. O prémio alcançado no contexto das estações floridas promovido pelo SNI, encontra-se numa dependência, na gare da estação.


      Foto: Maria Gomes, 2021


      Foto: Maria Gomes, 2021




               Quadro das estações que ganharam prémios, enquadrados no concurso das estações floridas.

Tabela criada com base na documentação consultada em Torre do Tombo, Correspondência Relativa ao Concurso “Estações Floridas”, Secretariado Nacional de Informação, cxs. 971 e 3475. ( Tiago Lourenço)


Noutros anos, a Estação de Rio Tinto foi, ainda, premiada com uma menção honrosa, distinção que dava lugar a uma quantia em dinheiro (500$00) mas não troféu.

No entanto, apesar da importância do  prémio monetário  para fazer  face às despesas de estações com magros orçamentos, contava muito o prestígio conquistado, materializado no troféu cerâmico desenhado pelo artista plástico Carlos Botelho (1899-1982) e de execução da "Fábrica Viúva Lamego". 


No final do século XIX, início de XX, a pintura, em geral, obedece a um naturalismo que incide sobre o bucólico das paisagens rurais que se vai perdendo com o desenvolvimento da revolução industrial. Esta conceção vai ser aplicada, sobretudo, a mercados e estações ferroviárias, nas quais, esta realidade aparece como uma exposição do património regional.

Na Linha do Minho,  o conjunto azulejar da estação de Rio Tinto executado por J. Alves de Sá em 1936, aquando da construção do novo edifício, é composto por nove painéis alegóricos colocados na fachada voltada para o cais.

Na frontaria, os temas prendem-se com realidades locais, em ligação com o rio Douro e com a arquitetura civil barroca local.

Nos três panos centrais são representadas cenas da Batalha em 824 entre Abd-El Hamam Kalifa de Cordoba e o Rei Ordonho II, rei de Leão. Um deles apresenta, mesmo legenda.



Painéis da Batalha entre Abd-El Hamam Kalifa de Cordoba e o Rei Ordonho II, rei de Leão
Foto: Maria Gomes, 2021



Painel da Batalha entre Abd-El Hamam Kalifa de Cordoba e o Rei Ordonho II, rei de Leão

Foto: Maria Gomes, 2021



Painel da Batalha entre Abd-El Hamam Kalifa de Cordoba e o Rei Ordonho II, rei de Leão

Foto: Maria Gomes, 2021


Painel da Batalha entre Abd-El Hamam Kalifa de Cordoba e o Rei Ordonho II, rei de Leão

Foto: Maria Gomes, 2021


Pormenores:


































Fotos: Maria Gomes, 2014

O painel central alude à lenda da batalha sangrenta que terá dado origem à designação da localidade de Rio Tinto, embora existam outras explicações mais científicas para esta denominação.

Alves de Sá introduz um grande movimento, quer através dos guerreiros em ação, quer num conjunto de corpos que jazem no chão, conferindo aos quadros “rara expressividade no contexto dos painéis azulejares ferroviários” (Tiago Borges), quando a norma obedece mais a reproduções fotográficas que “tendencialmente se limitam a captar um instante e a cristalizá-lo”. (Tiago Borges)

 Estas cenas bélicas caracterizam-se pela  “sumptuosidade decorativa” (a um nível que raramente se assistiu no próprio barroco)  dada a profusão do aparato cénico das composições.

“Mais do que pelo típico sentimento de pertença/identificação sentimental com as cenas representadas, habitual na azulejaria ferroviária portuguesa, em Rio Tinto procurou-se alcançar o espetador através da exaltação do sentido visual, seguindo os preceitos barrocos como em poucas composições azulejares revivalistas da primeira metade de novecentos.” (Tiago Borges)


“Neste painéis as molduras ocupam cerca de dois terços da composição, limitando-se a cena a representar num pequeno intervalo ovalado (com uma moldura dourada, como se de um espelho se tratasse)” (Tiago Borges Lourenço, Postais Azulejados: Decoração Azulejar Figurativa das Estações Ferroviárias Portuguesas, p. 118)


Outros painéis:


Barco rabelo e Palácio do Freixo

Foto: Maria Gomes, 2021


O painel com o barco rabelo retrata o transporte do vinho do Porto, em ligação com o rio  Douro.

                           
                                                              Foto: Maria Gomes, 2021

O painel com o palácio do Freixo retrata a arquitetura civil barroco no espaço envolvente de Porto – Gondomar. 



Foto: Maria Gomes, 2021


Outro painel alude ao transporte do vinho em pipas com recurso a juntas de de bois.



Foto: Maria Gomes, 2021

Do lado direito, voltam a aparecer cenas do quotidiano. 


                                                        Foto: Maria Gomes, 2021



Aparece, ainda, o  trabalho do campo com reurso a juntas de bois.



                                                             Foto: Maria Gomes, 2021



Um outro retrata, de novo, o transporte do vinho em pipas, através do rio Douro.



                                                              Foto: Maria Gomes, 2021

Estas temáticas não circunscrevem o local a Gondomar, alargam-no até ao Porto, ou ao que se pode observar nas margens do rio Douro que atravessa a região.

Outro painel reporta-se às lavadeiras, lembrando, talvez, as mulheres que lavavam a roupa no rio Tinto para a burguesia da cidade ou para os grupos locais mais afortunados.


Foto: Maria Gomes, 2021



Fotos: Maria Gomes, 2014




Há autores que referem que alguns desenhos são repetidos noutras Estações, dando ideia que a entidadeencomendadora se serviria dos mesmos desenhos para vários lugares.
No entanto, o conjunto azulejar de Rio Tinto é particularmente interessante e mesmo único, já que além da assinatura do ceramista, tem a referência  ao autor do desenho.



Fotos: Maria Gomes, 2014


Fachadas laterais e traseiras:

Nas fachadas laterais e traseiras do edifício observa-se um conjunto de composições barroquizantes nos vãos inferiores  do edifício, com grinaldas, enrolamentos, folheados, putti, encimados por albarradas, numa grande afirmação do estilo barroco.



Fachada norte:


                                                             Foto: Maria Gomes, 2021


      Albarrada (Vaso de flores, normalmente com uma figura de cada lado, dispostas simetricamente);         putti (meninos barrocos); grinaldas e enrolamentos.


Foto: Maria Gomes, 2021

 Albarrada (Vaso de flores, normalmente com uma figura de cada lado, dispostas simetricamente);         putti (meninos barrocos); grinaldas e enrolamentos, carranca e elementos curvilíneos.

Foto: Maria Gomes, 2021



Albarrada (Vaso de flores, normalmente com uma figura de cada lado, dispostas simetricamente);         putti (meninos barrocos); grinaldas e enrolamentos.

Foto: Maria Gomes, 2021


Fachada sul:











Traseiras:


google maps- consultado a 11. 07.2021



Nas traseiras, os onze painéis têm as mesmas caraterísticas dos laterais.




















    Fotos: Maria Gomes, 2021



 Fotos: Maria Gomes, 2021




 Fotos: Maria Gomes, 2021



Um aviso pretende pôr em salvaguarda os azulejos contra o vandalismo:






Século XXI

Na primeira década de 2000, a empresa Rede Ferroviária Nacional, ao estudar a quadruplicação do lanço da Linha do Minho entre Contumil e Ermesinde,  deparou-se com o problema do atravessamento de Rio Tinto, onde a via passa junto à malha urbana.

Surgiram, então, duas hipóteses:

- a linha seria quadruplicada à superfície

-  ou seria enterrada, passando por debaixo da cidade, num túnel.

Em Março de 2007, a segunda hipótese foi posta de lado, devido a ser muito onerosa e demorada, o que desagradou a uma franja da população.

Apesar dos protestos, em 2009, a obra recebeu uma declaração de impacto ambiental favorável,   impondo, todavia, como condição várias medidas para reduzir o nível de ruído e as vibrações provocadas pela passagem dos comboios, e o pagamento justo aos proprietários que teriam os seus edifícios expropriados para demolição, ou os que vissem as suas condições de habitabilidade reduzida pela proximidade à linha.

O estudo de impacto ambiental, que determinou o  levantamento do património industrial, identificou uma antiga fábrica, próxima da Estação de Rio Tinto, sem interesse patrimonial relevante. Registou  um marco quilométrico ferroviário que, apesar de comum na rede ferroviária portuguesa, tem o interesse de constituir uma peça da época da construção da linha.

Quanto ao património arqueológico e etnográfico apenas registou elementos etnográficos: restos de azenhas, um tanque e um poço,  relacionados com as antigas características agrícolas da região. 

Como impacto positivo foram apontados :  a melhoria da exploração ferroviária (nas Linhas do Douro e do Minho – incluindo as ligações a Braga e Guimarães); o aumento do emprego e os seus efeitos na economia local, durante a obra; a melhoria das condições de utilização da Estação de Rio Tinto e do Apeadeiro de Palmilheira/Águas Santas; a melhoria das condições de escoamento das linhas de água; a redução dos efeitos de erosã, o a jusante das passagens hidráulicas e a estabilização de taludes.

Tinha-se a perceção de que a melhoria do serviço prestado contribuiria para o aumento de passageiros, no transporte ferroviário, em detrimento do rodoviário o que contribuiria para a redução das emissões atmosféricas, em particular dos gases com efeito de estufa. Apontava-se, também, a miminização do ruído proveniente da circulação ferroviária, assim como o aumento da segurança, com a vedação da via-férrea e da supressão das passagens de nível.





Fonte: Linha do Minho -Quadruplicação do Troço Contumil / Ermesinde-Estudo Prévio-Volume 17 – Estudo de Impacte Ambiental-Tomo 2



Evolução da Estação:


Foto coleção E.B.R.T. anterior a 1999, Albano Magalhães et al. 1999









Foto José Mota, Global Imagem. 2010






Foto: Maria Gomes, 2014


Foto: Maria Gomes, 2014


Foto: Maria Gomes, 2014

Foto: Maria Gomes, 2014



Foto: Maria Gomes. 2021


Foto: Maria Gomes. 2021
Foto: Maria Gomes. 2021

Foto: Maria Gomes. 2021


Plataforma com proteção


Foto: Maria Gomes. 2021


Foto: Maria Gomes. 2021



Plataforma com proteção
Foto: Maria Gomes. 2021




Foto: Maria Gomes. 2021


Foto: Maria Gomes. 2021


Foto: Maria Gomes. 2021


Parque automóvel



Parque reservado aos utentes

Foto: Maria Gomes. 2021


Foto: Maria Gomes. 2021


Passagens subterrâneas:


Passagem subterrânea, lado sul
Foto: Maria Gomes, 2014




                                                        Passagem subterrânea
Foto: Maria Gomes, 2021




Gare:


Foto: Maria Gomes, 2021



Foto: Maria Gomes, 2021




Foto: Maria Gomes, 2021



Linha férrea para norte e meio envolvente

Foto: Maria Gomes, 2021
Linha férrea para sul
Foto: Maria Gomes, 2021



Gare e armazéns

                                                                Foto: Maria Gomes. 2021




Armazém

                                                                Foto: Maria Gomes. 2021


Armazém com azulejo: "Rio Tinto"
Foto: Maria Gomes. 2021

Estrutura do telhado do armazém

                                                              Foto: Maria Gomes. 2021

Foto: Maria Gomes. 2021



Foto: Maria Gomes. 2021

Foto: Maria Gomes. 2021


Foto: Maria Gomes. 2021

Foto: Maria Gomes. 2021


     Foto: Maria Gomes. 2021





Foto: Maria Gomes. 2021


Foto: Maria Gomes. 2021

Meio envolvente da Estação





                                                           Foto: Maria Gomes, 2014


Foto: Maria Gomes. 2021



                                                              Foto: Maria Gomes. 2021







Foto: Maria Gomes. 2021



Foto: Maria Gomes. 2021



                                                                 Foto: Maria Gomes. 2021

                                                         Foto: Maria Gomes. 2021




                                                                   Foto: Maria Gomes. 2021






                                                               Foto: Maria Gomes. 2021


Foto: Maria Gomes. 2014


Foto: Maria Gomes. 2021

Foto: Maria Gomes. 2021


                                                                    Foto: Maria Gomes. 2021

Foto: Maria Gomes. 2021






Foto: Maria Gomes. 2021




Logótipo da freguesia de Rio Tinto: As armas que simbolizam a batalha entre Cristãos e Muçulmanos, o Rio, sobre um fundo em marca de água, de um azulejo da Estação de Rio Tinto da referida batalha.
Fonte: Site: Junta de freguesia de Rio Tinto


Conclusão:



A localização  de Rio Tinto constitui um importante elo de ligação entre esta localidade  e o Porto, Vila Nova de Gaia, Maia, Matosinhos e Valongo. A conjuntura demográfica atual, o grau de infraestruturação e o tipo de economia que a região apresenta dotam a região de um posicionamento estratégico com relevo.

Ao nível das infraestruturas, esta região integra  o Corredor da Faixa Atlântica que estabelece a relação entre o litoral Atlântico da Península Ibérica e o Corredor Ibérico (Norte), que relaciona a AMP com a Espanha. Neste contexto, a rede ferroviária ocupa um importante papel, através da Linha do Minho e da rede de suburbanos do Porto aliada à  rede rodoviária, através da Rede Nacional Fundamental de Autoestradas (A4).



No entanto, a Estação de Rio Tinto, despromovida a apeadeiro, não tem bilheteira, é apenas dotada de uma máquina para comprar bilhetes, não tem ligação, nem em Campanhã, nem em S. Bento, ao Metro, embora as dependências da Estação e do Metro se localizem perto uma da outra. Por seu lado, a estação de Campainha do  Metro do Porto, via da linha laranja, situa-se a cerca de meio quilómetro da estação ferroviária de Rio Tinto.

O edifício da Estação é ocupado por um bar, a 4.ª divisão de Investigação Criminal e uma dependência da REFER. 


Está dotada de infraestruturas que permitem aos utentes que tenham que se deslocar de carro até lá, deixar a viatura, no parque, e seguirem para os seus destinos de comboio, não estando sujeitos a engarrafamentos e gastando menos combustível e tempo, diminuindo, assim, a produção de gases de feito estufa, aumentando o conforto, permitindo, desta forma, uma diminuição da sua pegada ecológica.

Seria interessante saber o número de pessoas que se deslocam por dia, utilizando a linha férrea,  até Ermesinde pela linha do Douro, até Barca d´ Alva, ou a partir destas até ao Porto, com término nas estações de Campanhã e S. Bento. Quando visitámos a estação, numa manhã de julho de 2021, com todas as cautelas que a Covid 19 impõe a algumas pessoas, quanto ao transporte coletivo,  o parque automóvel já estava quase cheio, às 8h e 30m e a gare de passageiros  ligeiramente movimentada. Vimos vários comboios a passarem num sentido e noutro e até um de mercadorias.

Nos anos 80 e 90, do século XX, o número de passageiros foi aumentando, até atingir, em 1995, a média mensal  de 9.120 bilhetes e 1.1770  assinaturas. Ao contrário, o serviço de mercadorias foi diminuindo,  totalizando, em 1992, em média 28 vagões, cerca de 1.385 toneladas. Este serviço foi encerrado em setembro de 1993, vítima da concorrência rodoviária.

Estes factos podem, também, relacionar-se com  o estado das casas comerciais que outrora se localizavam à volta da Estação para rentabilizar os custos de transporte.

Quanto à segurança, a preocupação que residia nas passagens de nível à superfície é colmatada, hoje, por passagens subterrâneas.

Quanto ao edifício da estação decorado com azulejos barroquizantes e únicos na história da arte do período em que foram produzidos, até porque estão datados e assinados pelo desenhador, além de terem sido produzidos pela prestigiada "Fábrica Viúva de Lamego", estão sujeitos a ser vandalizados, já que se nota vestígios de grafiti sobre eles, apesar do aviso da Polícia , na parte traseira do edifício. Além disso, notam-se sinais de degradação a necessitar de intervenção.




Bibliografia:

 

Magalhães, Albano, Silva, Fátima, D´Armada Fina, Lopes Licínia, Correia, Natália, e Castro, Olga. Rio Tinto – Apontamentos Monográficos. 1999. Edição da Junta de freguesia de Rio Tinto,  vol. II p..297,298

Reis, Francisco Cardoso dos; Gomes, Rosa Maria; Gomes, Gilberto et al. Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A., 2006. 238 p. ISBN 989-619-078-X

Oliveira Camilo,1936. O Concelho de Gondomar, (apontamentos monográficos), vol IV, Imprensa Moderna L.da, Porto. Caminhos de ferro. P. 21 a 25.

Oliveira Camilo,1936. O Concelho de Gondomar, (apontamentos monográficos), vol IV, Imprensa Moderna L.da, Porto. Inquérito à Vida industrial em 1881. P- 111

 Silva, Raquel Henriques. 2008.  “Romantismo e pré-naturalismo”, A.A.V.V., História da Arte Portuguesa, Volume 08 – Neoclassicismo e Romantismos (século XIX ).Lisboa.  Círculo de Leitores p. 155-156.

 

Webgrafia:

http://aert3.pt/umaescolaumavida/html/estacaoriotinto.htm - consultada em 07-07. 21

https://biblioteca.cm-gondomar.pt/Municipio/Patrimonio-Cultural/emodule/1707/eitem/80 https://bit.ly/4bHvp3P - consultada em 07.07.21

Gazeta dos Caminhos de Ferro, N.º 1130, 16 de fevereiro de 1930, p. 3 - http://hemerotecadigital.cm-gazeta -consultada em 07.07.21

Gazeta dos Caminhos de ferro, nº 1130 -lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1935/N1130/N1130_master/GazetaCFN1130.pdf

-consultada em 07.07.21

Luz, Carla Sofia, 2010, 05 março às 00.30, Linha do Minho será ampliada sem túnel em Rio Tinto - https://bit.ly/4iJFi3i - consultada em 07.07.21

https://siaia.apambiente.pt/AIADOC/AIA2038/RNT2038.pdf - Abril de 2009-https://bit.ly/4kKz0Co - consultada em 07.07.21

Linha do Minho -Quadruplicação do Troço Contumil / Ermesinde-Estudo Prévio-Volume 17 – Estudo de Impacte Ambiental-Tomo 2 – Resumo Não Técnico https://bit.ly/4iefe0h - consultada em 08.07.21

https://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_do_Douro - consultada em 08.07.21

https://pt.wikipedia.org/wiki/EstaçãoFerroviária de Rio Tinto - consultada em 08.07.21

Relatório do Estado do Ordenamento do Território - https://www.cm-gondomar.pt/wp-content/uploads/2018/12/2018.12.17-Doc_REOT_DelC_dez2018.pdf - consultada em 08.07.21

Tiago Borges Lourenço, Postais Azulejados: Decoração Azulejar Figurativa das Estações Ferroviárias Portuguesas 2014 - https://bit.ly/4il2YeB  - consultada em 02.07.21










terça-feira, 11 de maio de 2021

Fado Operário

 

FADO OPERÁRIO

(S. Pedro da Cova)

 

 

Quando baixamos ao fundo,

É um funeral pegado

Até chegar ao repouso a)

Onde trabalha o escravo!

 

Mas dentro daquela urna,

Há lá uma cruz pesada:

Gente! Não temos valor,

E trabalhamos sem dor

Onde os nobres ganham fama.

 

O carvão que a gente mina,

 Sustenta tanta família,

Numa quadra tão sangrenta;

Quando estivermos cansados,

E do trabalho impossibilitados,

Não temos quem nos defenda.

 

Senhor Augusto Farinas,

É o director das minas,

Vá ao fundo justificar.

Como um homem sem coração,

Que nos quer tirar o pão b)

E a gente a trabalhar.

 

Senhor engenheiro em segundo,

Capatazes gerais, em terceiro,

Os vigilantes em quatro;

Às vezes sem ter razão, que nos roubam o dinheiro.

 

Mas logo de manhãzinha,

Com aquela luz vivinha,

Labutamos com a fé,

Arrancamos tanta fortuna,

E nunca temos nenhuma,

O mineiro tão pobre é!

 

 

a)    cemitério

b)     cortes de vencimento

 

 

domingo, 4 de abril de 2021

RECURSOS E POTENCIALIDADES ECONÓMICAS DO CONCELHO DE GONDOMAR










https://www.cm-gondomar.pt/wp-content/uploads/2017/07/PRJ15.061_GONDOMAR_RELATORIO_VF-min.pdf

 



terça-feira, 2 de março de 2021

ROMANIZAÇÃO EM GONDOMAR


 ROMANIZAÇÃO EM GONDOMAR

 

  1. Carateriza a ROMANIZAÇÃO EM GONDOMAR
  2.  Refere as evidências da existência do ouro na Serra de Banjas e Flores

 

Camilo de Oliveira citando a Enciclopédia Universal Ilustrada Europea-Americana dos Filhos de Espasa refere que: "no Monte Crasto, (...) existiu uma fortaleza romana e segundo a lenda uma mina de ouro, encontrando-se vestígios de galerias abertas pelos romanos e pelos árabes"

 

A verdade, é que houve mineração romana em terras de Gondomar e arredores

Nas regiões à volta de Gondomar, destacam-se as minas de ouro de Melres e as do Fojo das Pombas, em Valongo.

 

Diz a tradição que o Monte Crasto foi uma povoação castreja ( como Sanfins, Monte Mozinho, em Penafiel e Freixo no Marco) ocupada pelos romanos. Na verdade, lá foram encontradas mós de mão e moedas romanas.

Em Rio Tinto, foram encontradas no Monte Penouco, um cemitério Romano. Algumas das lápides provenientes desse local encontram-se no Museu Soares dos Reis. (Fina de Armada et al), Monografia de Rio Tinto.

 

Na serra das Banjas as mineralizações são dominantemente do tipo Au-As (ouro, arsénico) e na serra das Flores domina o tipo Sb-Au (antimónonio, ouro).  (ex. da mina de Alto do Sobrido).

“Os fojos ou banjas ( Furos - são cavidades correspondentes ao desmonte de filões auríferos pelos romanos), termo usado respetivamente a norte e a sul do distrito mineiro, seguem preferencialmente a direção E-W e NESW. Os filões quartzosos apresentam geralmente espessuras inferiores a um metro e são geralmente pouco extensos. (Couto 1993).

Os minerais mais frequentes são a pirite, arsenopirite, estibina, berthierite e sulfuretos mais complexos de chumbo, antimónio e prata. O ouro apresenta-se quer puro quer em liga com a prata ou antimónio ou na rede da pirite e arsenopirite.”

 

Pré-concentrações de ouro e antimónio foram assinaladas em rochas encaixantes das mineralizações auri-antimoníferas (Sb-Au), nomeadamente em formações do Precâmbrico(?) (4.6 bilhões de anos)  e/ou Câmbrico (542 milhões de anos) constituídas por alternâncias de xistos, quartzitos, conglomerados e rochas vulcânicas ácidas e na brecha de base do Carbonífero (entre 359 milhões e 299 milhões de anos) .

 

“O ouro apresenta-se quer puro quer em liga com a prata ou antimónio ou na rede da pirite e arsenopirite.”

 

Hoje num trilho de tipologia circular, classificado de DIFÍCIL pelo perigo da descida à cascata do Ribeiro dos Cadeados, não sinalizado, de âmbito paisagístico e desportivo, com início e fim no Parque de Lazer de Rio Mau, pode-se percorrer caminhos florestais da Serra das Banjas. Na  Gruta das Banjas - antigas minas de ouro, ainda se pode observar os carris usado pelas vagoneta

   Disponível em : http://bit.ly/3kR6Ve9


 

 

 Serra das Banjas

Disponível em : http://bit.ly/3kR6Ve9




                                                                               Gruta das Banjas

 


  Gruta das Banjas, com o trilho das vagonetas


 

O ouro na região do Baixo-Douro (Portugal): da serra das Banjas à serra das Flores - um património natural e histórico a preservar. Couto, H. e Soeiro, T. F C U P/ FLUP. 

Disponível em: https://bit.ly/2PvBf2l


 3. Aponta locais explorados pelos romanos referidos nas quadras

 4. Explica, a partir das imagens, como era explorado o ouro.


Romanos:

Furamos as entranhas da terra

Para o ouro extrair

Aquelas pedras amarelas

Muita gente fez sorrir

 


 

Em Melres e em Medas

Nós os Romanos por lá andamos

Fojos, poços e galerias

Tudo aquilo escavámos

 

 



 

 

                                                                            Santa Justa

 

 Também na Serra Pia

E ainda na Santa Justa

Onde até escadas fizemos

Para ficar mais augusta










Fojo das Pombas





Nestas duas serras

Ainda se podem ver

7 e 30 fojos

Que lá fomos fazer

 





5. Aponta vestígios romanos em Rio Tinto

   Explica o seu significado.


 

Em Rio Tinto, no Monte Penouco

Lá deixamos inscrições

Aos mortos que lá enterrámos

Fizemos nós orações

 


6. Caracteriza a Romanização da Península Ibérica


ROMANIZAÇÃO NA PENÍNSULA IBÉRICA

 

Connosco trouxemos deuses

Para sempre nos proteger

Partilhá-los com os naturais

Foi sempre o nosso dever

 


Ensinamos a tirar da terra

Não só o próprio sustento

Uma economia mercantil

Fez crescer o alimento

 

 


Construímos estradas e pontes

Como aquela lá do Lima.

Temíamos que nos fizesse esquecer

O que nos trouxe por aí acima.

 

 


Mas o nosso governador

Mostrando  grande calibre

Entrou nas águas sem medo

Como se fora o rio Tibre

 

Marcos miliários

Por todo o lado construímos

Para glória do Imperador

Até as estradas medimos

 


                                         marcos que marcavam as distâncias nas estradas romanas

 

Impusemos o latim

Que galaicos não sabiam articular

Com esta língua nobre

elevamos o seu falar

 

  Trouxemos muitas moedas

Para as trocas operar

Quanto metal luminoso

Criou o vosso bem estar!

 


 

Trouxemos comerciantes

Que muito contribuíram

Para alargar horizontes

Dos que nada possuíam

 

 

Fizemos rir no Teatro

E no Circo divertir

Ensinamos o culto dos deuses

Culta forma de sentir

 

 


Com os Galegos dos Galécios

Partilhámos o poder

Demos Direito de Cidadania

Civilizamos a valer

 

 

Construímos cidades

Como se pode ver em Conímbriga

Aos chefes locais demos poder

Acabou-se, assim, a briga.

 

          



7. Como os povos autóctones (locais)  viram as suas conquistas romanas

   Explica o ponto de vista dos povos da península ibérica.

 8.. Indica os elementos que foram modificados com a romanização, na Península Ibérica, particularmente na região que é hoje Portugal.


Somos os Romanos

Armados até aos dentes

Com nossas armas

Muito reluzentes

 

 


 

Estão aqui os romanos

Armados até aos dentes

Pensam que as terras são deles

Vieram conquistar esta gente





Nós somos os galaicos

Vivíamos em povoados

Castros ou Citânias

Sempre bem fortificados

 

 


Vivíamos em casas de pedra

Com pais, mães e avós

O gado nosso vizinho

Não nos deixava sentir sós

 

 


Defendemos nossos bens

Conta o Romano invasor

Tentamos evitar

Que fosse nosso senhor

 

 

Galaicos, Lusitanos ou Túrdulos

É nosso ser e valor

Conhecíamos muitas artes

Oleiro, ourives e agricultor.

 

 

Não falávamos o latim

Tínhamos o nosso linguajar

Para comunicar uns com os outros

Não foi preciso a língua atar.

 

 



Somos galaicos ou Celtas

Ou como nos queiram chamar

Vivíamos neste povoado

Antes de Júnio aqui chegar

 

 

Não  lhe podemos bem querer

Sendo ele nosso opressor

seria beijar as mãos

De quem é nosso matador.

 

Os romanos roubaram o ouro

Do fundo da terra a arder

Puseram-nos a escavar

Para o dourado metal obter

 






 

Os romanos obrigaram-nos

A abandonar tudo a correr

Como é que a um povo assim

Nós lhe podemos querer?

 

9. A HERANÇA

  Por que razão se poderá dizer que o facto dos romanos terem como uma das suas principais atividades a ourivesaria, os romanos poderão ter tido alguma influência nisso?


Nós somos Gondomarenses

Herdeiros dos romanos

Ensinaram-nos a explorar o ouro,

No tempo se perdem os anos

 

 


Trabalhamo-lo ricamente

Num trabalho delicado

O engenho será Celta

O produto por nós achado

 


Assim somos uma mistura

De artes e de magias

O que faz de nós este povo

Tão dado às alegrias


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

S. Brás em Baguim

 






 

“Das tuas águas mais puras,

Procuro as do Cabidela.

Oiço falar no “Finuras”,

E da antiga clientela.

                    Mazola, abril, 1987

      


A festa de S. Brás de Baguim de Monte ou Vago de Monte são já referida nas Memórias paroquiais de 1778. As freguesias vizinhas acorriam a venerar o santo, sobretudo, como refere o reverendo António Ferreira Nobre (que redige as respostas ao Inquérito, coligido nas referidas Memórias), era mais popular entre os fregueses de Valongo, por ficarem mais perto da capela.

A festa de S. Brás é realizada pela confraria do Sagrado Coração de Maria (padroeira da freguesia) e S. Brás.

S. Brás é o advogado da garganta, pelo que a população recorre ao santo, não só quando é atormentado por doenças da garganta, mas também, quando alguém fica entalado com algum alimento ou objeto. Segundo costume antigo (que continua a ser eficaz hoje) uma batida nas costas e a invocação de S. Brás, fazia soltar o intruso!

No caso dos bebés com tosse, e não esqueçamos a época da tosse convulsa, a batida nas costas e a lembrança da proximidade do santo, também se cria eficaz: “S. Brás que é nosso vizinho!”

A devoção chegou a ser tão grande, que eram e são oferecidas gargantas em cera, bem como dinheiro e quando o havia, ouro.

No dia 3 de fevereiro, é costume, as gentes locais enfeitarem as ruas com belos tapetes de flores e colocarem à varanda as colchas mais bonitas, por onde passa a procissão que dá uma volta às ruas contíguas à Igreja. É habitual haver quem se vista de S. Brás, muitas vezes, para “pagar” alguma promessa de uma doença curada.

No entanto, há, também, à volta da igreja, inúmeras vendedeiras de doces, mas a guloseima mais falada é a do figo de saco (meio seco), ou de cesta (achatado) com regueifa, bem como, devido à época do ano, os rojões e as papas de sarrabulho. Este ano, só confecionado em casa ou, então, em take way, mas em anos anteriores, a corrida a esta iguaria , nos restaurantes locais era apreciável. Em épocas passadas, estes pratos acompanhados de verde tinto ou “amaricano” podiam ser degustados na “Frazinda”, no “Chasco” , na “Peneda” e noutros. Hoje, há também, por lá, bons restaurantes, infelizmente fechados.

No entanto, cerca de 1940, a festa profana de S. Brás começava na noite anterior com os jogos de dados, “uma coroa de cinco coroas” e continuava no dia seguinte com o “Jogo do gato”, da “roleta” e das “ergolas”. A festa terminava com o Leilão das oferendas.

Como fevereiro ainda é época fria, os vendedores apregoavam o café quente e a aguardente” para aquecer.

A capela de S. Brás, no lugar do Outeito, era importante, porque distanciava da Igreja de S. Cristóvão de Rio Tinto, pelo que dela saía a procissão do Santíssimo Viático que levava a comunhão aos doentes enfermos, em perigo de vida.  Desta forma, é reedificada em 1885.

Hoje, a festa resume-se à parte religiosa e à venda dos doces e dos pratos que resultaram da matança do porco.

S. Brás nos acuda que é nosso vizinho!