Barcos
Ó
barqueiro trás cá o barco,
Trás
também a amarração....
Eu
quero atravessar
De
Avintes para Valbom!
O
rio Douro foi sempre um rio de difícil navegação dado as regiões montanhosas
que atravessa e as variações de caudal nas diferentes estações do ano. A
arquitectura dos seus barcos foi adaptada a estas características.

Entre o Porto e Crestuma são frequentes os barcos de pá, com fundo estreito de
tábuas sobrepostas, bordos altos e bico agressivo adaptados ao troço sem
acidentes dignos de nota. É caso do Valboeiro.
Entre Crestuma e Entre-os-Rios, onde existem alguns acidentes, o fundo do barco
alarga-se, proporcionando melhor maniabilidade e adoptando a espadela. Foi o
caso do Rabão Branco , posteriormente, também do Negro.
Nesta zona, junto a Pé de Moura, havia, ainda, os "saveiros" com
coqueiro e até espadela.
De Entre-os-Rios para montante são adoptados barcos de formas ladeiras e
boleadas para fazer face aos grandes acidentes de percurso. Nesta zona dominava
o tipo Rabelo.
Possui, ainda, dois remos de cada lado e fundo chato - o sagro - constituído
por um número ímpar de tábuas. Tem forma lenticular.
Barco
Rabelo, Octávio L. Filgueiras, Tipologia dos Barcos

Há autores que defendem uma origem Sueva, outros Visigótica ou até Viking.
Transportava vinho, lenha, madeira, carvão, fruta, palha, batata e outras
mercadorias.
A vida a bordo do Rabelo era árdua e trabalhosa, existindo, então, uma espécie
de hierarquia de comando. Para um barco de
A confecção da comida estava a cargo do moço e do vinhateiro que, também,
zelava pelo vinho e pelos víveres da chileira.
Grande parte das refeições eram à base do caldo e do peixe pescado pelos
próprios além de pão e vinho.
Ao longo da navegação, nalgumas regiões, o barco Rabelo tinha que ser puxado à
Sirga. Com uma buzina, búzio ou corno, os tripulantes do barco chamavam os bois
que os lavradores costumavam alugar para puxar o barco - é a navegação à Sirga.
Os perigos de rápidos, pontos ou golas levava os marinheiros a assinalá-los com
santos aos quais pediam a protecção. Transportavam, também, por vezes, uma
caixa com as "Alminhas" do barco, onde depositavam a sua esmola.
.
. p


Este barco foi dos que mais inspirou os artistas gondomarenses que o reproduziu vezes sem conta em filigrana.
Barco Valboeiro - É governado através da pá. O fundo é constituído por uma única tábua - a cal - é completada por uma ou duas tábuas já inclinadas, os fundos.
Funciona como barco de pesca - o saveiro - barco de rio e mar ou barco de carga
e transporte de passageiros.
Como
saveiro era o barco utilizado na pesca do sável, media cerca de
"A Barca de Avintes", óleo s/tela de António Silva Porto
(séc.XX col. Museu Nacional Soares dos Reias) - com sobrecéu
RABÃO BRANCO - De estrutura semelhante ao rabão negro ocupavam-se, porém no transporte de mercadorias como as madeiras de Melres, carqueja e lenha de Medas ou Lomba, as famosas melancias de Covelo bem como os nabos de Gondomar, além de outras.

Rabões
utilizados na exploração da areia
foto de Manuel Joaquim Soares
in "Da Terra de Mallores a que agora
chamam Melres", Santa Casa da Misericórdia de Vera Cruz de Gondomar,
1997, pg 51
RABÃO NEGRO - Tinha a tonelagem de 50/60 ton. ou até mais.
Transportava
carvão, sobretudo das Minas do Pejão que começaram a laborar em 1917.
Os
últimos barcos a navegar forem os que transportaram o carvão das Minas do Pejão
até à fábrica de briquetes no Esteiro de Campanhã, nos anos sessenta de 1900 -
era a esquadra negra.
O
Rabão tinha uma tripulação de quatro homens: um arrais com o leme a seu cargo e
função de comando; o feitor que substituía o arrais na sua ausência; o
cozinheiro e o marinheiro encarregado da cama onde se dormia em conjunto.
Normalmente,
apresentando uma tonelagem de 50/60 toneladas, nos anos 60 de 1900, para fazer
face à concorrência, chegou a atingir 70 e mais.
O
Rabão embora diferente do rabelo assemelha-se-lhe pela terminologia das peças.
O Rabão da Esquadra Negra.
Tinha
a tonelagem de 50/60 toneladas ou até mais. Transportava carvão, sobretudo das
Minas do Pejão que começaram a laborar em 1917.
Os últimos barcos a navegar foram os que transportaram o carvão das Minas do
Pejão até à fábrica de briquetes no Esteiro de Campanhã - era a esquadra negra.
O Rabão tinha uma tripulação de quatro homens: um arrais com o leme a seu cargo
e função de comando; o feitor que substituía o arrais na sua ausência; o
cozinheiro e o marinheiro encarregado da cama onde se dormia em conjunto.
Normalmente, apresentando uma tonelagem de 50/60 toneladas, nos anos 60 de
1900, para fazer face à concorrência, chegou a atingir 70 e mais.
O Rabão embora diferente do Rabelo assemelha-se-lhe pela terminologia das
peças.
A construção

Manuel
Sousa - construtor e reparador de barcos em Melres
foto
Emílio Ferreira, Melres, julho de 1998
in "Artes e Saberes da Terra de Melres", Melres, 1998, pg. 28
No
entanto, nesta arte notabilizou-se um outro artesão, Mestre Arnaldo.
Arnaldo Pereira nasceu em Vilar do Andorinho, Vila Nova de Gaia, a nove de
Março de 1911, numa família tradicionalmente construtora de barcos. O bisavô
ensinou a arte ao avô e este ao pai que transmite o saber a Arnaldo. Assim, aos
treze anos já ajudava o pai na construção de barcos. Com ele ia por Crestuma,
Pombal, Lixa, Carvoeiro, Melres e até Entre-os-Rios. Aos dezoito anos
construiu o primeiro Valboeiro. Estabeleceu-se em Melres a construir barcos e
fez desta arte a sua ocupação até morrer. Participou em inúmeras feiras de
artesanato a fim de dar a conhecer os barcos que saíam das suas mãos.
![Mestre Arnaldo a colocar pegões. [foto de Manuel Joaquim Soares in "Da Terra de Mallores a que agora chamam Melres", Santa Casa da Misericórdia de Vera Cruz de Gondomar, 1997]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6c2XFM8oNioQ0es5HHokApvpZo2o1s7KXCrL2kWIuaXa3VFhC1OwnxGnUNUmtKBa-F643ULz0fOj7kuVzhucARpbXJyh2Zdo_t1PFrvBV7tIor6yjrBtMKlxHEw49hM6g0nwC3M1sttegZmpbPrRAkf4iPDLTzD0T121dfP3XN7bggC6iimobtCml1GvN/s1600/image.jpeg)
Mestre
Arnaldo, a colocar pegões.
[foto
de Manuel Joaquim Soares
in "Da Terra de Mallores a que agora chamam Melres",
Santa Casa da Misericórdia de Vera Cruz de Gondomar, 1997, pg 106]
PESCA
A
importância da pesca nesta região vem de tempos longínquos - Os Fenícios
comercializavam o peixe salgado e os Romanos, a partir do século II, a conserva
de peixe - garum. Em tempos medievais os Senhores preocuparam-se em legislar
sobre a cobrança de impostos sobre o pescado, como pode ser exemplificado no Foral de Gondomar.
Só em 1843 vão ser substituídos todos estes impostos de pesca devidos aos
senhores pelo pagamento ao Estado de 6% dos lucros dos pescadores, que em 1928
passa para 8,3% do valor do pescado.
A
preocupação de regrar a pesca vai também ser constante. Desde muito cedo são
redigidas leis nesse sentido. Por exemplo
Os "Acordãos da Câmara do Porto" de 1560 e 1561 estabelecem o tipo de
malhas permitidas e proibem certas redes (mossas
e covãos nos meses de março a maio exceto
para os Sáveis, bogas e tainhas e com redes varredouras:
tresmalhos e galritos dobrados) bem como proibem a poluição das águas com trovisco,
barbasco, coca ou cal. No entanto a provar que a prevaricação é constante o Decreto de 16 de setembro de 1886 volta a proibir os
mesmos métodos e redes.
As
penas consistiam em prisão de três a trinta dias e correspondente multa.
|
MOSSA
- pancada COVÃOS
- grande cova TRESMALHO
- rede de tres panos para pescar GALRITO
- rede formada por um saco COCA
- planta extraída da coca, planta narcótica. CAL
- óxido de cácio TROVISCO - subarbusto frequente nos
outeiros,charnecas e matos, tem flores cheirosas, dispostas em cachos
terminais, com pedúnculos e pedicelos branco-tomentosos. BARBASCO
- folhas da planta do mesmo nome - barbasco, verbasco ou alecrim das paredes
- planta medicinal com flor amarela e sementes negras. |
- o Alar
Rede triangular bastante comprida. É fixa na areia por uma vara de pinheiro com
o vértice em oposição à corrente da água. Na extremidade possui uma
"nassa", ou armadilha. Retem cerca de
É utilizado na pesca da Lampreia.
nassa
para as pesqueiras do Douro in Baldaque da Silva
-
Camaroeiro ou conchinha
Compõe-se por um saco de rede, pano rectangular com costuras laterais, que se
prende a um arco em madeira ou ferro, que por sua vez está ligado a um cabo.
É utilizado para espécies que se encontram em grupos. sável, lampreia; savelha.
-
Tresmalho ou Vanda
Redes de três panos sobrepostos tendo cada um a forma rectangular - a rede mais
larga fica por fora e a mais fina por dentro. As malhas têm todas a forma
quadrada. São empregadas por todo o rio Douro deixando-as andar com a maré
acompanhadas pelo barco.
É utilizado para o sável, lampreia; savelha
-
Varga, varina ou Barga
Rede de arrasto de linho.Têm um único pano de emalhar e grande cortiçada na
tralha superior e a inferior liga-se ao lastro que é feito de poucos pedaços de
barro vermelho ou lousa chamados bolos - são usadas na costa e dentro do rio
sempre a arrastarem do mar para a terra para o que tem cordas amarradas às
forcadas.
É utilizado para o sável, savelha, solha.
-
Espinhela
Para a lançar começa-se por enterrar, perto da margem, uma estaca, com cerca de
meio metro onde se amarra uma corda. Na outra extremidade prende-se com um fio
uma pedra com cerca de 500g que é para assentar no fundo. Esta é atirada ao rio
esticando a corda. A linha com cerca 200m tem um anzol de 10 em 10 e isca-se
com minhoca, camarão ou sardinha. No final deste aparelho amarra-se um bóia
para saber onde ficou.
É usada para peixes de tamanho médio - enguia, robalo e tainha.
É
usada, ainda a Cana para peixes pequenos. Ao longo do rio, em determinados
pontos eram colocadas pesqueiras - estratagemas para pescar.
Quanto ao peixe pescado o Foral de Gondomar refere a : Lampreia; Sável: Solha e Irez (eiró - espécie de enguia).
| Enguia - ANGUILLA
| Boga - CHONDROSTOMA POLYLEPSIS
| Escalo - LEUCISCUS
| Truta - SALMO GAIRDNERI - SALMO GAIRDNERI - truta arco-íris
| Lampreia - LAMPETRA FLUVIALIS
| Sável - CLUPEA ALOSA
| Solha -FLESUA VULGARIS
| Tainha MUGIL CAPITO
| Muge - MUGIL AURATUS




