segunda-feira, 11 de novembro de 2024

1.ª Guerra Mundial em Gondomar

 

1ª Guerra Mundial em Gondomar





Como se viveu a 1ª guerra em Gondomar?

Foto de Guedes de Oliveira, com farda e máscara de combatente, na casa da Levada, Rio Tinto, cocumento da família Guedes de Oliveira, inserido na Monografia de Rio Tinto., p. 148.

     Os soldados portugueses além de defenderam o território nacional, com o arquipélago dos Açores e Madeira incluído,  estiveram presentes em Angola, em 1914-1915; em Moçambique, entre 1914 e 1918 e em França, em 1917 e 1918. Houve combates em todas as frentes, mas o CEP só participou numa batalha, a Batalha de La Lys, na Flandres, no dia 9 de Abril de 1918.
    As forças portuguesas  partiram para a guerra em situação muito deficitária, sem instrução suficiente, armamento e equipamento muito desatualizado.
    Apesar de tudo, pode-se dizer que o CEP, lutando heróicamente, cumpriu os seus objetivos: Portugal  conservou os territórios coloniais e teve assento na Conferência de Paz.

O sentimento de guerra em Gondomar

   De início, em Gondomar, como certamente em muitos pontos do país, predominava a opinião de que a guerra não tinha muito a ver com Portugal. Só começou a preocupar as pessoas quando as colónias ultramarinas foram atacadas pelos beligerantes,
  A partir do momento que Portugal decide participar na guerra, a situação muda.  Sente-se a necessidade de proteger os soldados que faziam parte do Corpo expedicionário português (CEP).
   Em 1915, com o sentimento de guerra mais entranhado, o Clube Gondomarense organiza um espetáculo a favor do CEP e descerra o retrato de Jeremias Gaudêncio das Neves, expedicionário em África e sócio do Clube. O ato foi acompanhado pelo canto do Hino do Clube e pela orquestra de José Moura. Fez-se, também, teatro infantil.
  Neste mesmo ano, o Grupo de Mocidade Valvoense, lamenta-se pelo facto do Carnaval ser insípido, “apenas uns grotescos e ridículos mascarados que faziam os transeuntes sorrir de desdém e nojo”. Contra o costume, a Escola Dramática e Musical Valvoense decide não promover festas carnavalescas “associando-se assim à dor que domina as consciências do Universo”. [1] Por seu lado, o Clube Gondomarense acha que os lucros da realização de uma festa podem reverter em benefício dos  soldados portugueses e para esse fim promove a sua realização.
   Organiza-se, então, uma cruzada para recolha de fundos.[2] Sobretudo mães e namoradas temem e expressam, de forma mais evidente, esse sentimento de receio, dor e saudade.
   Oficialmente, a Câmara Municipal de Gondomar, em vinte e sete de abril de 1916, “colocou-se ao lado do Governo, que, como representante da Nação, aceitou a declaração alemã de hostilidade” [3]
  Neste mesmo ano, há grande adesão  à Cruzada das Mulheres Portuguesas, presidida por Elzira Dantas Machado [4] a fim de dar assistência aos soldados portugueses que estavam a combater na guerra e aos seus familiares.
   Por esta altura, a Junta de Paróquia de S. Cosme lamentando as vítimas portuguesas que tombavam em África, devido à guerra, aprova uma subscrição para socorrer as vítimas deste conflito.
  A pouco e pouco o sentimento de guerra vai dominando e em 1917, os sócios expedicionários do Clube Gondomarense são isentos de cotas. Esta associação cancela, mesmo, um espetáculo “devido à tristeza reinante”.[5]   Em 1917, um espetáculo, do Grupo Dramático e Recreio da Mocidade Valboense, com alguns elementos “a servir a Pátria”, com suporte orquestral  e representado na Escola Dramática é denominado “Alemães e Franceses” e “baseado em comoventes episódios da guerra actual”. [6]
   Em 1918, depois da batalha de La Lys, um fado que lamenta o infortúnio dos soldados portugueses, torna-se popular:

9 de Abril, meu amor
Triste data em que eu ditei,
Quando eu em ti pensei
Ó minha adorada flor.
São pecados da minha dor
E fatalidades da vida.
Ao escrever-te estas linhas.
Eu só choro, meu coração
Por serem palavras tão minhas
Só as letras as não são.
Olha leva à minha mãe
Muitos beijos e carícias
E diz que de mim tens notícias
Que estou vivo e estou bem
Minhas pobres irmãzinhas
Que inocentes, coitadinhas
Que só sentem, como tu sentes,
Diz-lhes que não és tu quem mentes
Porque as palavras são minhas
Fui ferido e perdi um braço
Numa chuva de metralha
Arranja outro namorado
Que eu sou um homem mutilado
E futuro algum te oferece.



Que consequências resultaram?   

    Se no total, Portugal perdeu 7.760 homens e contou com 16.000 feridos e mais de 13.000 prisioneiros e desaparecidos, em Gondomar, Camilo de Oliveira refere o nome de sete soldados que morreram em França e um em Moçambique. Os seus corpos ficaram por essas paragens, o que era comum.
   Com o incentivo da Liga dos Combatentes da Grande Guerra (LCGG), há algum  empenho de diversas entidades na criação de espaços nos cemitérios locais destinados aos combatentes da 1ª Guerra capazes de afirmarem a sua coragem e prestarem, desta forma, o devido agradecimento pelo sacrifico que fizeram pelo seu país. Forma-se, mesmo, um grupo nacional, o CPGG que, depois de conseguir em 1921 a exumação e trasladação  de  dois Soldados Desconhecidos, um proveniente de África, outro da Flandres ( as duas frentes de combate onde houve maior intervenção portuguesa), para o Mosteiro de Santa Maria Vitória, na Batalha, se bate pela  consagração de novos rituais e símbolos, procurando organizar e celebrar regularmente,  o ‘9 de Abril’ e o ’11 de Novembro’. Este grupo, com a colaboração da Liga dos Combatentes da Grande Guerra,  sensibiliza, também, as entidades locais para a criação de espaços nos cemitérios exclusivamente destinados aos homens que pereceram em defesa da Pátria.




 Desta forma, no dia vinte e um de agosto de 1927 foram inaugurados, nos cemitérios de Valbom, S. Cosme, Fânzeres e Rio Tinto, os canteiros a fim de recolher os restos mortais dos soldados que pereceram durante a 1ª Guerra Mundial .[7] Hoje ainda lá figuram embora, alguns com modificações sensíveis.

Talhão de Valbom - foto de Maria de Fátima Gomes




Memorial S. Cosme - foto de Vítor Neves


Memorial  de Fânzeres - Foto de Fátima Gomes


Ramo da Liga dos Combatentes colocado em todos os memoriais em 1 de novembro de 2014, cumprindo o ritual que vem da década de 1920.

 Foto de Fátima Gomes









Memorial  de Rio Tinto - Fotos de Fátima Gomes e Vítor Neves

Memorial moderno construído em substituição do primitivo que ficava no terreno onde está hoje a capela mortuária.Fica contíguo ao espaço destinado aos combatentes da guerra colonial.



Memorial de S. Pedro da Cova - Foto Vítor Neves





Perpétua a lembrar a saudades dos que se foram.





                                                    Memorial  de S. Pedro da Cova - Foto de Fátima Gomes


Crise económica e social

     A crise económica perpassa por todo este período, particularmente no que se segue à Primeira Guerra Mundial. Na verdade, quer os jornais, quer as atas da Câmara fazem referência à falta de géneros.
Até ao fim de 1915, vive-se dos stocks de antes da guerra. As primeiras falhas iniciam-se em 1916. Os preços aumentam, já que a mão-de-obra é menor e mais cara, as matérias-primas encarecem e por sua vez arrastam os transportes.
Em 1915, a Associação dos Operários Marceneiros de Valbom decide não comemorar o 1º de Maio devido à “enorme crise que assoberba as classes trabalhadoras.”[8]
O povo sente cada vez mais a carestia da vida. Em 1917, há um comício na Associação de Classe dos Operários Marceneiros de Valbom para eleger uma comissão com elementos de diversas profissões capaz de pedir, junto do Administrador do Concelho, o cumprimento do decreto que proibia que o milho ultrapassasse o preço de 1$20 os 20 litros. No entanto, no dia aprazado, o grupo foi primeiro recebido por uma força de cavalaria que gerou uma sessão de pranchadas e baionetas e depois pelo Administrador que declarou que tal feito caberia a uma comissão prestes a constituir-se. [9]
As iniciativas das juntas sucedem-se como é o caso em Valbom do ofício de vinte e um de junho de 1918, que solicita ao presidente da Comissão de Subsistência que seja fornecido à freguesia, milho e centeio. [10] No mesmo ano, em S. Cosme, discute-se o regulamento dos celeiros municipais que pretendiam fazer face à crise.
Outra tentativa reside na venda de milho a baixo preço, em Valbom. O Pároco de Rio Tinto organiza, mesmo, uma Caixa de Socorros, tendente a acabar com a mendicidade
As moedas são entesouradas porque o valor do seu metal ultrapassa o valor facial, o que leva  várias instituições e até autarquias a emitir cédulas para serem usadas em pequenas transações.



                                                     Documento pessoal
     No entanto, as lutas mais aguerridas no concelho de Gondomar, acontecem em S. Pedro da Cova, dado as condições de trabalho desumano que lá existiam, que incluía o trabalho descriminado de menores e mulheres. Com salários baixos, a alimentação dependia do maior ou menor crédito que se tinha nas lojas. Podia constar de broa, legumes, peixe e por vezes carne. Com o objetivo de defender os interesses dos operários mineiros, cria-se em 1914, a Associação de Classe de Operários Mineiros e Anexos. Em 1915, ocorre nova greve mineira em S. Pedro da Cova, pela melhoria dos salários.
     A opinião pública republicana estranha que a ” autoridade Administrativa se colocasse abertamente ao lado da empresa exploradora”. O Administrador manda encerrar a Associação de Classe e prender toda a Comissão delegada, “trazendo para a República, o critério monárquico de fazer política”.  Um comício de trabalhadores é invadido pela força das autoridades e são presos, no Aljube, os principais oradores.
  Do mesmo modo, um comício tentado em Valbom, é impedido pela força das armas.[11]
  Nesta altura, a Associação dos Operários Marceneiros de Valbom decide  não comemorar o 1º de Maio devido à “enorme crise que assoberba as classes trabalhadoras[12] Em 24 de Julho de 1916, funda-se o Sindicato Agrícola de S. Cosme de Gondomar
     Em 1917, os mineiros de S. Pedro da Cova empreendem mais uma greve, devido aos baixos salários que auferiam e à carestia de vida, sobretudo do pão. Esta greve, que se arrasta por várias semanas é duramente reprimida. Vários mineiros são mortos.[13] O patronato tenta arrastar alguns mineiros a furar a greve acenando-lhes com prémios pecuniários chorudos e alicia-os a lutarem contra os seus companheiros de trabalho, gerando-se, desta forma, enorme confusão. As forças armadas intervêm e não poupam nem mulheres nem crianças que são massacradas.
     Em 1918, a Junta de Freguesia de S. Cosme oficia à Câmara de Gondomar a solicitar que seja suspenso o imposto sobre as mobílias que passam as barreiras da cidade do Porto devido à crise de trabalho dos marceneiros e ao elevado preço das madeiras.[14]

DOENÇA
    Em1915, o médico de Medas pede soro anti-diftérico para fazer face à doença que afeta essa região.[15]
    Em 1918, grassa na freguesia de S. Cosme, mas também em todo o concelho, uma epidemia de tifo exantemático.[16] Chegou a constituir-se um cordão humano pela Fonte da Saúde, para impedir a circulação da população entre Porto e Valongo.
   No mesmo ano desenvolve-se, a gripe infeciosa[17] ou gripe pneumónica. Pensa-se mesmo em ocupar a Vila Leopoldina para internamento hospitalar, decisão que preocupa a população, já que esta casa se localizava no então centro cívico de Gondomar. 
   No que respeita a doenças respiratórias e músculo esqueléticas eram, então, procuradas as termas. Encontramos referência à estada de Novais da Cunha nas termas de Entre-os-Rios.[18] As de Caldelas, [19]também aparecem referidas. Nas Atas da Junta de S. Pedro da Cova, há registo de requerimento de certificados de pobreza para cura nas termas, no Instituto Pasteur, no Hospital Joaquim Urbano, o que pode evidenciar doenças ligadas a parasitas e à tuberculose. Em todas as freguesias, são inúmeros os pedidos de atestados para cura no Hospital de Santo António.
    É que em Gondomar não há asilos, parteiras municipais, dispensários, creches, assistência infantil ou pavilhão para tuberculosos.
    Projeta-se a construção de um hospital e para tal fim, o Clube Gondomarense chega a promover um espectáculo para angariação de fundos, mas o projeto é abandonado.

Conclusão
    A primeira guerra foi bem sentida em Gondomar, sobretudo a nível das suas consequências económicas  e  certamente junto dos familiares dos que participaram no CEP. O sentimento de possibilidade de perda que as condições deficitárias dos equipamentos do CEP  agravavam, eram sentidas com temor, sobretudo pelas mulheres mais chegadas aos que participaram na primeira guerra, mas também pela população em geral.  


BIBLIOGRAFIA:

FONTES MANUSCRITAS:

ARQUIVO DA CÂMARA MUNICIPAL DE GONDOMAR :
Livro de Registo das Actas das Sessões de Vereação da Câmara de Gondomar , Livro nº 13 e 14.
ARQUIVO DA JUNTA DE S. COSME DE GONDOMAR: A.J.S.G. –  Actas da Junta da Paróquia de S. Cosme de Gondomar, Livro nº 3; 4; 5 e 6.
ARQUIVO DA JUNTA DE S. PEDRO DA COVA :
Actas da Junta da Paróquia da freguesias de S. Pedro da Cova – Livro nº 5; 6; 7.
ARQUIVO DA JUNTA DE S. VERÍSSIMO DE VALBOM :
      Actas da Junta da Paróquia da freguesias de Valbom – Livro nº 4; 5; 6.
Diário Manuscrito de António Fereira da Fonseca, S. Pedro da Cova.

FONTES IMPRESSAS:

BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DO PORTO
      Jornal de Notícias – várias datas
      Periódicos gondomarenses:  
A Voz de Gondomar, nº 3
Terra Portuguesa
O Alho .

FIGUEIREDO, Silvino, Clube Gondomarense – Resumo da História do Clube – 1908 a 1958 – 1ª , ed. C. Gondomarense
FIGUEIRAS, Paulo de Passos Figueiras, S. Veríssimo de Valbom, Subsídios para uma Monografia, 1ªed. Centro Social e Cultural da Paróquia de S. Veríssimo de Valbom, Gondomar, Gondomar 1998.
MAGALHÃES, Albano, SILVA, Fátima, D´Armada, Fina, LOPEs, Licínia, CORREIA, Natália, CASTRO, Olga, Rio Tinto – Apontamentos Monográficos, 2 vols, ed. J.F. R. Tinto, 1999.
MAGALHÃES, Albano, D´Armada, Fina, CORREIA, Natália, Monografia da Vila de Fânzeres, ed. J.F. Fânzeres, 2005.
OLIVEIRA; Camilo de,O Concelho de Gondomar-  Apontamentos Monográficos, Vol  IV, Imprensa Moderna  Lda, 1936
ROSAS, Fernando, ROLLO, Maria Fernanda, História da primeira República Portuguesa, Tinta da China, Lisboa, 2009


FONTES ORAIS:
Maria Nogueira de Queiroz, 1980
José Martins Gomes, 1980
Serafim Martins Gomes, 1980




[1] A. B. P. M. P.  O Alho, nº 17, 27.05.1917, p. 3
[2] A. B. M. P. O Alho, 21.02.1915, p. 1
[3] OLIVEIRA; Camilo de, O Concelho de Gondomar, Apontamentos Monográficos, vol IV, p. 256
[4] Cruzada fundada em 1916, pela esposa de Bernardino Machado
[5] FIGUEIREDO, Silvino, Clube Gondomarense – Resumo da História do Clube – 1908 a 1958 – 1ª , ed. C. Gondomarense
[6]  A. B. M. P. O Alho nº 16, 20 .01.1917
[7]  OLIVEIRA; Camilo de,O Concelho de Gondomar, Apontamentos Monográficos, vol IV, p. 258
[8] B.P.M.P., Terra Portuguesa, nº 1, 21 de Fevereiro de 1915, p. 2
[9] B.P.M.P., O Alho, nº 2, 16.09.1917
[10] A. J.F. V.,  Acta da Junta da paróquia Republicana de Valbom de21.04.1918
[11] A. B. P. M. P Terra Portuguesa, nº 23, 28 Novembro de 1915
[12] A. B. P. M. P Terra Portuguesa, nº 1, 21 de Fevereiro de 1915, p. 2
[13] A. B.M.P., O Alho, nº 8, 01.09.1917, p. 1 e nº 10, 30.09.1917, p. 1/2
[14]  A. J. F. S. C. , Acta da Junta da Paróquia de 21.04.1918
[15] A. J. F. S. C. Actas da Junta da Paroquia de S. Cosme, 22 de Dezembro de 1915
[16] A. J. F. V. Actas da Junta da Paroquia de Valbom, 5 de Maio de 1918
[17] A. J. F. S. C. Actas da Junta da Paroquia de S. Cosme, 29 de Setembro de 1918
[18] A.B.P.M. P., O Progresso de Gondomar, nº 20, 28.08.1910, p.2
[19] [19] A.B.P.M. P, A Voz de Gondomar, nº 3, 20.09.1925, p. 3

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Festa de Nossa Senhora do Rosário

 



Cartaz das Festas do Concelho de Gondomar, 2016, Boletim Municipal








Altar de Nossa Senhora do Rosário, na Igreja Matriz de S. Cosme
(foto Maria Gomes)



  

Imagem do séc XVI em pedra policromada da Escola de Coimbra
(pagela, ed.Confraria de S. Cosme e S. Damião e Nossa SEenhora do Rosário)



Andor de Nossa Senhora do Rosário

(foto Vitor Neves)


   

Vitral da Igreja Matriz de Gondomar com a Nossa Senhora do Rosário.


Decoração da Igreja.

(foto Vitor Neves)



A Festa de Nossa Senhora do Rosário virá a transformar-se na principal da freguesia e até do concelho.

 Ocorre no 1º Domingo de Outubro, comemorativo da Vitória de Lepanto contra os Turcos, a 7 de Outubro de 1571, em nome de Deus e da Senhora, “pelas orações do Santíssimo Rosário”, o que consta dos  estatutos que darão  origem à confraria, em 1728 – A.G. C.P. Estatutos da Confraria do Rosário, cap. 5º - 1867. M. 108, 20. 

A sua origem remonta à vontade de  Gregório XII (1572-1585)  que determina que todas as igrejas com Confraria do Rosário festejem a Senhora, no primeiro domingo de Outubro.


Procissão de Nossa Senhora com as meninas com o vestido da "Comunhão Solene", década de 1950

Rua Oliveira Salazar, hoje 25 de Abril

(foto família Gomes)

Procissão de Nossa Senhora com as meninas das fitas, década de 1950

Rua Oliveira Salazar, hoje 25 de Abril

(foto família Gomes)


Procissão de Nossa Senhora entre a Rua 5 de Outubro e a então Rua Oliveira Salazar, hoje 25 de Abril.

(foto família Gomes)




                              A mesma procissão, no mesmo sítio, Rua 25 de Abril, nos anos 80 do século XX.
                                                                   

(foto família Gomes)

As festas iniciavam-se em meados de Outubro com a procissão das velas, em honra de Nossa Senhora do Crasto para o Souto e retorno ao Crasto. Inclui, pelos menos no século XX, a festa dos padroeiros S. Cosme e S. Damião, denominando-se: “Festa da Nossa Senhora do Rosário, de S. Cosme e S. Damião.”

Têm como ponto alto o sábado do Rosário, no qual desfilam as bandas filarmónicas da Câmara ao Souto, hoje, com paragem no Orfeão de Gondomar.


       Banda em frente ao Orfeão de Gondomar, 2012, Rua 25 de Abril

(foto Vítor Neves)


À noite, é costume comer-se regueifa com nozes e vinho.

 A grande festa da Nossa Senhora do Rosário iniciava-se, na alvorada de  sábado, com girândolas de foguetes e repiques de sinos, instalação de barracas com quinquilharias, assobios de barro e cavaquinhos e mais variedades de brinquedos, café e outras bebidas, teatros de fantoches e animatógrafos, quermeses, tômbolas, e outros divertimentos, como os Zés Pereira a tocar bombo.

  No domingo, é o dia do Rosário Grande, grande em tudo, em gente, em divertimentos e na missa solene, cantada por vários padres, e sermão por algum padre eminente, o que enchia a igreja com gente que vinha de muitos locais para cumprir as suas promessas ou, apenas, por devoção à Nossa Senhora do Rosário.

 No século XIX, a ela acorriam gentes das redondezas “em caleches, coupés e carroções e a pé.”(CP.09.10.1866)

 Os forasteiros faziam-se acompanhar de farnéis que comiam no Monte Crasto ou noutros locais.

 No arraial, havia longa fila de pipas de vinho, fritadeiras enormes de peixe, muitas canastras de doces, jogos da fortuna, flores de papel de seda com versos amorosos na haste e o despique das bandas de música, como a banda do Monteiro e de Augusto Martins dos Reis e outras.

 Nesta altura, achava-se que “Cada romeiro faz a romaria bem feita, logo que cante e se dance bem. Logo que se coma e beba melhor” (JP, 07.10.1861).

A ornamentação da Igreja era esmerada. A Confraria da Nossa Senhora do Rosário não poupava no abrilhantamento da festa. O trono do altar-mor era como ainda hoje descoberto e especialmente decorado para a ocasião.


   Trono eucarístico a descoberto e decorado de forma festiva, 2020

(Foto Vítor Neves)


Era habitual estrear-se roupa nova, por ocasião da Senhora do Rosário e namorar à carreira, ou seja, as raparigas colocavam-se em fila à espera que os rapazes lhes dirigissem-se a palavra, sobretudo em verso, debaixo do olhar dos familiares, um pouco afastados. Alguns pares constituíam-se como resultado da conversa produzida, nesta altura. .

  Na segunda metade do século XX, o Souto enchia-se de barracas de divertimentos.  Não podiam faltar os carrinhos de choque, o poço da morte, o comboio fantasma, as cestas que animavam a rapaziada mais nova.

 Nesta altura, existia o bar dos Bombeiros e o da Conferência de S. Vicente de Paula, nos quais as pessoas conviviam, depois de terem comido numa das tascas do Souto ou à volta, o caldo de nabos ou a regueifa com nozes e vinho.


Boletim Municipal, 2016


Muita gente não dispensava os concertos das bandas no adro da Igreja, bem como o magnífico fogo de artificio.

A atuação dos ranchos folclóricos, a partir da segunda metade do século XX, é também uma realidade.




Fogo de artifício

(fotos Sérgio Gomes)




Na segunda- feira, feriado municipal, é o dia da procissão da Nossa Senhora do Rosário, na qual tomavam e tomam parte as Confrarias da paróquia e desfilam os Santos padroeiros S. Cosme e S. Damião e Nossa Senhora do Rosário bem como outros de devoção na paróquia.

  

 Procissão de N. Sr.ª do Rosário, 2017

(Foto Vítor Neves)


Andor de  Procissão de N. Sr.ª do Rosário

(Foto Maria Gomes)



Pendão de N. Sr.ª do Rosário

(Foto Maria Gomes)


Andor de S. Damião

(Foto Maria Gomes)


Andor S. Cosme
(Foto Maria Gomes)




Pendão de S. Cosme e S. Damião

(Foto Maria Gomes)


Pendão de S. José

(Foto Maria Gomes)

Pendão de S. Miguel arcanjo

(Foto Maria Gomes)

Andor de S. Miguel

(Foto Maria Gomes)



Andor de Santo Elói, padroeiro dos ourives

(Foto Maria Gomes)

                                                                    Pendão de Santo Elói

                                                                      (Foto Maria Gomes)



Pendão de N. Srª das Dores

(Foto Maria Gomes)





Pendão de Santo Isidoro


(Foto Maria Gomes)


   

Andor de Nossa Senhora do Rosário a passar junto às portas do Monte Crasto. 2018

(Foto Câmara de Gondomar)

Também neste dia é costume o despique de bandas filarmónicas que tocam de forma renhida, primeiro junto da Igreja, de posteriormente, quando foi construído o anfiteatro no Souto, no palco dessa infraestrutura, com mais comodidade para os espectadores. 


    
A ouvir a banda

(Foto Câmara de Gondomar)



É também costume, o pessoal de Gondomar aproveitar os divertimentos dos carrosséis, as farturas e nos últimos anos, antes da pandemia, as tasquinhas, para se divertirem.´




Romaria do Rosário, no largo do Souto
( Foto Guimarães)






Matrecos na feira, 2018


(Foto Maria Gomes)


Aspeto geral da feira, no lugar da feira, 2018~

(Foto Maria Gomes)

Do alto das cestas
(Foto Maria Gomes)







Cestas

(Foto Maria Gomes)



Farturas, uma iguaria a não dispensar, nos últimos anos.
(Foto Maria Gomes)




Tasquinhas, Boletim Câmara de Gondomar, 2016



 No Domingo seguinte, já vem menos gente de fora do concelho, mas os divertimentos continuam, é o dia do Rosário pequenino. Anda-se mais à vontade nos diversos carrosséis e pode-se comprar objetos nas louceiras ou nos leiloeiros que nunca cessam de perguntar: “quem dá mais?".   

 Com o tempo, a Festa do Rosário foi-se transformando na Festa Municipal, e intitulada também, Feira das Nozes,  iniciada a 12/13 de Outubro com a procissão das velas a nossa Senhora, do Crasto para o Souto, mais recentemente no início de outubro com a “noite branca” e inúmeras realizações culturais e económicas.


A Romaria do Rosário, tida como uma das grandes e última do ano, além de símbolo religioso, importante pela veneração a Nossa Senhora do Rosário que, pode levar os crentes a alcançar o céu, conta com o aspeto recreativo e cultural muito dinamizado por esta altura. São inúmeras as exposições e concertos que animam a vida concelhia e chamam forasteiros de outras paragens que visitam Gondomar e que contribuem para o seu desenvolvimento.


Decoração da Noite Branca

 As feiras de artesanato ou as feiras agrícolas e industriais, " Agrindústria", iniciadas em 1978, na Escola Preparatória Júlio Dinis, atraíram gente de muito longe e dinamizaram a vida económica, precisamente integradas nas festas do Concelho.


Foto Arquivo da Câmara Municipal de Gondomar)


Individualidades na Agrindústria
Foto Arquivo da Câmara Municipal de Gondomar)


                                                      Coleção particular



1ª 




Festival de Folclore 1995

Arquivo Câmara de Gondomar



                                                                   Concerto dos GNR
                                                    (Boletim Municipal de  Gondomar, 2016)








Bibliografia:



Costa, Francisco Barbosa, Romaria de Nossa Senhora do Rosário em S. Cosme de Gondomar, Câmara Municipal de Gondomar, Confraria de Nossa Senhora do Rosário.

2ª Feira Agrícola e Industrial de Gondomar, 29 Set a 8 de outubro - Catálogo geral oficial

Estatutos da Confraria do Rosário, cap. 5º - 1867. M. 108, 20.